"Assustador", relata ribeirinha sobre ataques de onças no Pantanal

Ecoa acredita que situação está relacionada diretamente com as queimadas ocorridas nos últimos anos

| KARINE ALENCAR / CAMPO GRANDE NEWS


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Viver perto da natureza sempre foi como estar no paraíso, mas ataques de onças-pintadas a comunidades do Pantanal, têm transformado o relacionamento do homem com os felinos em grande preocupação nas regiões de Ladário e Corumbá.

Eliane Aires, moradora da Barra de São Lourenço, relata como é conviver com a presença constante dos animais onde mora. 'A gente vive aqui há muitos anos e sempre tivemos um bom relacionamento com as onças, mas ultimamente está sendo assustador, como é que vamos deixar nossas crianças, como é que vamos trabalhar?', questiona a ribeirinha ao Ecoa (Ecologia e Ação).

Segundo a ONG Organização Não-governamental Ecoa, ataques têm acontecido em Corumbá, na Bahia Negra, em Ladário, e Porto da Manga, além da região do Paiaguás, onde as onças se alimentaram dos cachorros das casas e também de porcos.

Ao falar da situação, Eliane pede que propostas de harmonia sejam alinhadas para manter o convívio entre os humanos e as onças-pintadas. 'Esses dias gritei com ela bem de frente da minha janela, ela pegou meu cachorro e eu dizia: larga, larga. Sei que ela faz parte desse ambiente, a gente quer preservar, mas precisamos de apoio agora, porque elas também estão com fome, igual nós, o que estamos passando elas também estão passando. A gente vê com tanta tristeza, que a natureza está fraca, ta triste, infelizmente', enfatiza.

Até o momento, não houve ataque a humanos. Contudo, desde 2021, há relatos constantes de onças em busca de cachorros e outros animais domésticos para se alimentarem.

Resultado do fogo- Alerta emitido pelo Ecoa, reconhece que existe grande possibilidade de tal alteração no comportamento das onças estarem relacionados aos incêndios que devastaram o Pantanal nos últimos anos, desestruturando cadeias alimentares.

Pesquisadores do Pantanal, estimaram a morte de 17 milhões de vertebrados como causa direta dos incêndios. Este número é possivelmente menor que o número real, se considerarmos os impactos indiretos dos incêndios.

Tecnologias - De acordo com o IHP (Instituto Homem Pantaneiro), que tem prestado auxílio à população, por meio da implementação de estratégias já testadas pelo programa Felinos Pantaneiros, estão sendo instalados repelentes luminosos em algumas localidades.

O equipamento emite luzes de diferentes cores em formatos e direções variáveis para espantar as onças e também funciona com energia solar. Outra sugestão é o manejo para os animais domésticos, principalmente no período noturno.



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