Brasil/Mundo
Ponte de R$ 2,3 milhões na Bahia liga o nada a lugar nenhum
Estrutura de 60 metros sobre o Rio Água Fria, em Medeiros Neto, consumiu 80% do orçamento, nunca recebeu um veículo e não tem estrada de acesso
| ÚLTIMO SEGUNDO / MICAELA WENTZMICAELA WENTZMICAELA TRIVIñO WENTZ é UMA JORNALISTA FORMADA PELA UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI. NO IG, ESCREVE SOBRE AS PRINCIPAIS NOTíCIAS DA CIDADE DE SãO PAULO E DA GRANDE SãO PAULO.
Uma ponte inacabada, sem ligação a nenhuma estrada, se estende sobre o Rio Água Fria, no município de Medeiros Neto, no extremo sul da Bahia. A estrutura de 60 metros de extensão é feita em concreto armado e tem suas vigas prontas, mas não apresenta funcionalidade alguma.
Iniciada em 2009, a obra custou cerca de R$ 2,3 milhões para ser realizada e, até hoje, 17 anos depois, jamais foi utilizada para a travessia de um automóvel.
O projeto da ponte tinha como objetivo o desvio prático do tráfego de caminhões pesados do centro de Medeiros Neto e levá-lo diretamente às rodovias estaduais, aliviando o trânsito das ruas da cidade. Em vez disso, a estrutura ficou exposta e sem uso, enquanto os veículos de carga seguem pelo mesmo caminho de sempre.
O valor investido equivale a cerca de 80% do orçamento total, estimado em R$ 2,6 milhões. A obra é fruto de convênio entre o governo da Bahia e o Ministério da Integração. Segundo a Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), o investimento inicial previsto era de R$ 3 milhões, mas o montante foi reduzido ao longo do processo.
A paralisação acumulou anos de pendências. Em 2015, com os trabalhos já interrompidos, a Seinfra informou que o projeto passava por uma readequação e que a conclusão só seria possível depois dela. O prazo para assinatura era de 60 dias, mas, um ano e três meses depois, nada havia mudado.
A secretaria afirmou na época também que cobrou uma posição do Ministério da Integração, que, por sua vez, disse que a readequação estava em análise técnica e seria concluída 'o mais breve possível', sem apontar uma data.
O município tinha como obrigação a desapropriação de cerca de 30 imóveis na área, para que a estrada de acesso fosse aberta e a obra fosse concluída, mas, em 2017, a prefeita da época, Jádina Paiva, afirmou à filial local da Globo que não tinha conhecimento do acordo firmado e classificou a obra como inviável, uma vez que a prefeitura não tinha recursos suficientes para indenizar as famílias.
Hoje, a ponte segue esquecida e não há novas atualizações sobre sua possível finalização.
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