Projeto de canal de denúncia sobre posição política de professores é abusivo, classifica ACP

Sindicato afirma que proposta cria clima de perseguição e promete articular arquivamento do texto no Legislativo

| TOP MíDIA NEWS/DIANA CHRISTIE


Rafael Tavares apresentou projeto que estimula denúncias contra professores que manifestam opiniões políticas no ambiente escolar / Alice Assis/Arquivo TopMídiaNews
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A ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública) classificou como desnecessário e abusivo o projeto de lei que pretende criar um canal de denúncias anônimas sobre manifestações políticas e ideológicas nas escolas. O texto foi apresentado pelo vereador Rafael Tavares (PL) e deve entrar em discussão na Câmara Municipal.

Segundo o presidente da entidade, professor Gilvano, a matéria demonstra irresponsabilidade com as questões pedagógicas. Ele pontuou que os docentes lidam com diversos desafios diários e descartou a culpa dos profissionais pelas eventuais crises do setor. Ao TopMídiaNews, ele enfatizou que os professores são justamente as pessoas que defendem a educação todos os dias.

O dirigente sindical avaliou que iniciativas dessa natureza não trazem acréscimos para a qualidade do ensino. O efeito gerado, conforme a leitura do sindicato, é empurrar a comunidade escolar para um ambiente de perseguição e ódio. Para tentar barrar a medida, a instituição informou que vai atuar dentro da Câmara Municipal para debater o arquivamento ou a derrubada total da proposta.

A garantia da liberdade de cátedra, desde que alinhada às responsabilidades diárias das salas de aula, foi defendida no comunicado. O professor Gilvano rebateu acusações de doutrinação ideológica e declarou que 'professores não doutrinam, como dizem alguns'. A entidade representativa do magistério destacou que segue vigilante, com a exigência de que o Executivo e o Legislativo debatam os projetos educacionais com a própria categoria antes do avanço das tramitações.

Rafael Tavares, autor do projeto, justificou a ideia como uma ferramenta para proteger as famílias e coibir práticas que violam o estatuto do servidor, citando situações observadas no último período de eleições.

A Semed (Secretaria Municipal de Educação) foi procurada para explicar se avaliou a viabilidade técnica da iniciativa e se possui registros de militância político-partidária demandando apuração interna recente, mas a pasta ainda aguarda para emitir um posicionamento.



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