Brasil/Mundo
Sancionado fim da "taxa das blusinhas" em compras pela internet
Mudança alcança o tributo federal, mas comunicado não informa efeito sobre o ICMS
| KAMILA ALCâNTARA / CAMPO GRANDE NEWS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira (10) a lei que elimina o Imposto de Importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50. A cobrança ficou conhecida como “taxa das blusinhas' por atingir principalmente produtos vendidos por plataformas estrangeiras.
A mudança consta do PLV (Projeto de Lei de Conversão) 13/2026 e altera as regras do regime simplificado de tributação para encomendas internacionais. O sistema continuará sendo aplicado a mercadorias de até US$ 3 mil por remessa.
Com isso, a lei acaba com o tributo federal de 20% na faixa de até US$ 50. Isso não significa, porém, que essas compras ficarão totalmente livres de impostos. O comunicado divulgado pela Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) não informa mudança na cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que é estadual.
A lei permite ainda que o Ministério da Fazenda estabeleça alíquotas diferentes conforme a forma de importação e a participação da plataforma no programa de conformidade da Receita Federal. Nas empresas habilitadas, a conversão do valor da mercadoria poderá considerar o câmbio do dia da compra, dando ao consumidor uma estimativa mais precisa do custo final.
O governo também poderá limitar a quantidade e a frequência das encomendas. A medida pretende impedir que uma compra maior seja dividida artificialmente em diversos pacotes e evitar o uso do regime simplificado para revenda.
Outra mudança alcança medicamentos que não estejam disponíveis no Brasil. O tratamento especial será destinado a produtos acabados, sem similar nacional e reconhecidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), desde que sejam importados por pessoa física para uso próprio no tratamento de doenças raras ou negligenciadas.
Ministério da Fazenda deverá avaliar, pelo menos a cada seis meses, os efeitos das novas regras sobre preços, empregos, arrecadação, comércio, indústria e volume de importações. O Congresso também terá de apresentar, até 30 de abril de cada ano, um relatório sobre os impactos econômicos e fiscais da medida.
O comunicado não esclarece quando a retirada dos 20% começará a valer. Essa informação dependerá do texto da lei e de sua publicação oficial.
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