Política
Ascensão de Augusto Cury nas pesquisas mostra busca por alternativa a Lula e Bolsonaro
Rodrigo Prando vê fenômenos 'próximos, mas distintos' e afirma que estilo sem agressividade retórica diferencia o crescimento do escritor
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O crescimento de Augusto Cury nas redes e nas pesquisas pode lembrar, à primeira vista, a ascensão eleitoral de Pablo Marçal, mas os dois fenômenos têm naturezas diferentes. No Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o cientista político Rodrigo Prando avaliou que, embora Cury ainda apresente lacunas na discussão de temas políticos mais profundos, seu estilo mais tranquilo e menos agressivo encontrou espaço entre eleitores que procuram uma alternativa à polarização (este texto é um resumo do vídeo acima).
Prando propôs separar a análise em dois aspectos: conteúdo e forma. No primeiro, disse enxergar limitações. Segundo ele, Cury tem “muitas credenciais”, mas também “muitas lacunas”, sobretudo por não possuir experiência de gestão e conhecimento político aprofundado sobre a complexidade da realidade brasileira.
Na forma, porém, Prando identifica justamente uma das razões para o avanço do candidato. Ele atribuiu o aumento do engajamento à exposição obtida em debates e sabatinas e disse não acreditar na hipótese de compra de apoio ou seguidores nas redes sociais.
O que diferencia Cury de Pablo Marçal?
Para Prando, a diferença fundamental aparece na maneira de conquistar atenção. O cientista político aproximou Marçal e Renan Santos por enxergar nos dois uma estratégia ligada à “economia da atenção”, baseada na necessidade de mobilizar o público. Cury seguiria por outro caminho. “Augusto Cury é alguém muito mais tranquilo, muito mais pausado”, afirmou Prando.
A diferença também aparece no grau de confronto. “Ele não tem a agressividade retórica, verbal, que tem, por exemplo, o Renan ou até mesmo o Pablo Marçal”, disse o cientista político. Assim, embora os três possam encontrar nas redes um instrumento para impulsionar suas candidaturas, Prando não considera que utilizem a mesma fórmula.
Como a forma compensa as lacunas de conteúdo?
Prando ressalvou que o crescimento eleitoral não elimina as fragilidades que identifica no conteúdo apresentado por Cury. O cientista político apontou dificuldades do candidato para aprofundar determinados assuntos e relacionou esse problema à ausência de experiência administrativa e política.
Ainda assim, a forma adotada pelo candidato teria ajudado a ampliar seu alcance. Na leitura de Prando, a maior exposição permitiu que Cury se tornasse conhecido por mais eleitores e apresentasse uma personalidade política diferente daquela associada a candidatos mais combativos.
Essa distinção é central para explicar por que o cientista político rejeita uma equivalência direta entre Cury e Marçal. O crescimento pode ter em comum a força adquirida nas redes, mas os mecanismos utilizados para conquistar atenção seriam diferentes.
Cury encontrou um espaço fora da polarização?
Para Prando, o estilo de Cury também parece dialogar com a busca de parte do eleitorado por uma alternativa aos dois polos dominantes da disputa.
“Eu acho que esta personalidade dele, Augusto Cury, enquanto candidato, encaixou, pelo menos os dados mostram agora, nesse desejo de uma terceira via que se afaste da polarização lulopetismo e bolsonarismo”, afirmou.
É justamente nesse ponto que a comparação com Marçal encontra seu limite. Enquanto Prando associa Marçal e Renan Santos a uma comunicação que busca mobilização imediata e barulhenta, Cury estaria avançando com uma postura menos confrontadora. “Eu não colocaria o mesmo tipo de crescimento”, disse.
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