Nepal apela por "esforço global" para combater alterações climáticas

Ministro das Relações Exteriores nepalês concedeu coletiva de imprensa

| ANDREIA MARTINS* €� REPóRTER DA RTP


© Reuters/Tingshu Wang/Arquivo/Proibida reprodução
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O ministro nepalês dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, apelou neste sábado (29) a um 'esforço global' para combater as alterações climáticas, assinalando que o país é uma das maiores vítimas do aquecimento global, mas contribui com 'menos de 0,01% das emissões de gases de efeito estufa.

Na última quarta-feira, o colapso de uma geleira no Himalaia provocou uma enxurrada devastadora que deixou pelo menos 683 mortes e mais de 3 mil desaparecidos. 

'O Nepal emite menos de 0,01% dos gases de efeito estufa, mas nós, o povo nepalês, estamos entre as principais vítimas das alterações climáticas.' 

“Apelamos, por isso, à comunidade internacional para que se una na preservação do ecossistema dos Himalaias', acrescentou ainda o chefe da diplomacia nepalesa. 

Na mesma conferência, o ministro foi questionado sobre se o Governo nepalês planeja investigar as avalanches na região para compreender melhor o que motivou a avalanche de quarta-feira. 

Shisir Khanal indicou que o Nepal prevê estudar a situação em um “mecanismo conjunto' com investigadores chineses. 

Ele acrescentou que as autoridades nepalesas e chinesas já estavam em conversações para estabelecer um sistema de alerta em áreas mais vulneráveis antes mesmo da tragédia desta semana.  

'Estávamos em um processo de discussão para o estabelecer [o sistema de alerta], mas infelizmente este incidente aconteceu', afirmou. 

Navin Singh Khadka, correspondente da BBC para assuntos ambientais, acredita que nos próximos dias será possível apurar qual o peso das alterações climáticas no colapso da geleira que provocou a enxurrada devastadora na fronteira do Nepal com o Tibete. 

Ainda sem estudos específicos, o especialista disse que o aquecimento global levou ao degelo acelerado de geleiras do Himalaia e citou um estudo, divulgado em março pelo Centro para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, que aponta para a duplicação das taxas de degelo naquela região desde 2000.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicou que o desastre, ocorrido na quarta-feira perto da fronteira entre a China e o Nepal, foi desencadeado pelo colapso de uma geleira, que lançou uma torrente de detritos através dos rios.

A enxurrada registrada na última quarta-feira provocou pelo menos 683 mortos no Nepal e no Tibete, e ainda há cerca de três mil pessoas desaparecidas.

Ajuda estrangeira

Neste sábado, Katmandu reviu a decisão de manter equipes internacionais de busca e resgate fora das áreas afetadas. Ontem as autoridades indicavam que tinham meios próprios para conduzir as operações “por enquanto'.

Nos últimos dias, o governo nepalês recebeu pedidos de vários países que têm cidadãos entre os desaparecidos. 

'Recebemos um pedido da comunidade internacional para permitir pelo menos a entrada de equipes de busca e resgate, porque também há cidadãos desses países desaparecidos nas inundações', disse o ministro dos Negócios Estrangeiros.

'Estamos permitindo um número limitado de especialistas em áreas específicas', acrescentou. Foi autorizada a entrada de especialistas da Índia, China, Austrália e Coreia do Sul com experiência em resgates em túneis, análises de DNA e exames forenses. 

Um dos principais desafios está nos projetos hidroelétricos atingidos pela enxurrada, onde 933 trabalhadores e funcionários continuam sem ser localizados, segundo a Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Riscos de Desastres.

*Com Reuters

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