Esportes
Entenda como Alison evoluiu após as Olimpíadas e se tornou o número 1 dos 400m com barreiras
Brasileiro seguiu melhorando seus tempos, enquanto seus principais adversários estagnaram; Alison, Karsten Warholm e Rai Benjamin têm as 34 melhores marcas da história da prova
| GLOBOESPORTE.COM / GUILHERME COSTA
Nenhuma prova do mundo do atletismo tem o top 3 tão solidificado quanto os 400m com barreiras masculino. Há seis anos, Karsten Warholm, Rei Benjamin e Alison dos Santos dominam as principais provas e se revezam nos títulos. A questão é que, nos últimos dois anos, o único que seguiu melhorando as marcas foi o brasileiro, que chegou ao recorde mundial na última quinta-feira, com a marca de 45s80.
O "Big three", como é chamado o trio dominante, tem as 34 melhores marcas de todos os tempos. Nas Olimpíadas de Tóquio 2021, os três correram abaixo do então recorde mundial, que era de Kevin Young, com 46s78 desde 1992. Demorou 29 anos para que o recorde fosse batido. Nos últimos cinco anos, essa marca do Young já foi derrubada 34 vezes.
O fato que é muito favorável para Alison é a idade. Tem 26 anos, contra 29 de Benjamin e 30 de Warholm. O brasileiro está no auge da forma física e mental para a prova, enquanto seus adversários já não conseguem repetir os melhores tempos da carreira. A melhor marca da vida de Warholm e de Benjamim é exatamente a obtida em Tóquio 2021. Desde aquela Olimpíada, Piu já correu sete vezes abaixo do que tinha feito para conquistar seu primeiro bronze.
Alison também conseguiu impor uma nova estratégia nos últimos dois anos. Ele sempre foi conhecido por fazer uma primeira metade de prova mais conservadora e disparar nos últimos metros. Atualmente, o início é tão rápido e explosivo quanto o final, como foi visto no recorde mundial. Na segunda barreira já colocou vantagem para Warholm, conhecido por ser muito veloz no início das provas.
Nos últimos dois anos, Alison também teve um ótimo trabalho físico e não sofreu com nenhuma lesão grave. Em 2023, quando estava em uma fase espetacular, vindo do título mundial de 2022, lesionou o joelho de forma grave e ficou cinco meses sem competir. Ainda disputou o Mundial, mas ficou sem medalha. Desde as Olimpíadas de Paris, se manteve 100% fisicamente.
O americano Rai Benjamin, três anos mais velho, optou por uma tática conservadora em 2026. Focou na prova dos 400m sem barreiras, no qual é top 5 do ranking mundial da temporada, e correu apenas uma vez a prova dos 400m com barreiras. Fez 46s67 para vencer uma etapa da Liga Diamante na qual Alison não esteve presente.
Das 34 melhores marcas da história da prova, 14 são de Warholm, 11 de Benjamin e nove são de Alison. Só que dessas nove marcas de Alison, quatro foram feitas em 2026, o que mostra que o momento é todo dele nessa prova. Ele é um atleta ainda em evolução, que tem para onde crescer, o que parece não ser a realidade de Warholm e Benjamin.
Isso tudo significa que Alison será campeão olímpico em 2028? Ainda faltam 23 meses, ou pouco menos de dois anos, e muita coisa pode acontecer. Qualquer afirmação desse tipo seria como queimar uma largada. Mas a tendência é o brasileiro seguir evoluindo e, cada vez mais, abrir mais vantagem para os rivais.
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