Policial
Jovem sequestrada pelo ex teme ser morta se homem sair da prisão
Emiliane Tamara Nunes Carvalho afirma que registrou mais de dez boletins de ocorrência contra o ex-marido e que teve um pedido de medida protetiva negado. Ailton Rodrigues Mendes está preso após jovem ser encontrada em cativeiro.
| G1 / BáRBARA FRANçA
Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, teme ser morta caso o ex-marido, Ailton Rodrigues Mendes, saia da prisão. Ela ficou 5 dias em um cativeiro acorrentada.
A vítima registrou mais de 10 boletins de ocorrência contra o ex-marido. A Justiça e o Ministério Público negaram um pedido de medida protetiva em março.
A jovem desapareceu na segunda-feira (17) e foi resgatada na sexta-feira (21) amordaçada e acorrentada. O ex-marido foi preso em flagrante no local.
Ailton confessou ter dopado a ex-companheira para levá-la ao cativeiro. Ela relatou que ele já havia lançado bombas na casa dela e colocado soda cáustica na água.
Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, que ficou cinco dias em cativeiro e foi encontrada amordaçada e acorrentada, em Águas Lindas de Goiás, disse que teme ser morta caso o ex-marido, Ailton Rodrigues Mendes, deixe a prisão. Em entrevista à TV Anhanguera, a jovem afirmou que já havia procurado ajuda diversas vezes antes do sequestro.
“Eu sei que, se ele sair de lá, ele vai me matar. Porque ele já tinha falado isso várias vezes', afirmou Emiliane.
A defesa de Ailton informou ao g1 que conversou com o cliente e que ele relatou que a vítima o procurou inicialmente, quando os dois se encontraram. O advogado afirmou que aguardaria a conclusão do relatório policial e o depoimento formal do investigado para se manifestar detalhadamente sobre as acusações e preservar as investigações.
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Emiliane mostrou à TV Anhanguera mais de dez boletins de ocorrência registrados contra o ex-marido. Segundo a reportagem, quatro deles foram feitos apenas nos últimos oito meses. Os dois têm dois filhos.
‘Ele vai me machucar’
Emiliane afirmou que já havia relatado às autoridades que se sentia ameaçada pelo ex-marido. Segundo ela, mesmo após procurar ajuda e registrar ocorrências, não se sentiu protegida.
“Ninguém nunca olhou para mim. Mesmo eu falando: ‘Gente, ele vai me machucar, ele vai me machucar, ele está me machucando’', relatou.
A jovem também afirmou que, em uma das situações, foi informada de que seriam necessárias provas que ligassem o ex-marido às perseguições denunciadas por ela.“Eles queriam que eu procurasse filmagem, levasse e provasse que ele estava me perseguindo. Aí tem casos que são prioridades. Até chegar esse caso agora. Agora eu sei o que é uma emergência ser uma prioridade' , disse.
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Medida protetiva foi negada
A delegada da mulher de Águas Lindas de Goiás contestou a afirmação de que a Polícia Civil não prestou apoio à vítima. Segundo ela, Emiliane teve uma medida protetiva em 2020, posteriormente derrubada pela Justiça, e um dos casos mais recentes ainda aguarda o resultado de perícia.
A delegada afirmou ainda que a Polícia Civil realizou os procedimentos que cabiam à instituição, mas ressaltou que a concessão de medidas protetivas depende de decisão judicial. Segundo ela, apesar de Emiliane atribuir determinadas ações ao ex-marido, não havia, naquele momento, elementos nos autos que permitissem vinculá-lo aos fatos.
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) confirmou à TV Anhanguera que um pedido de medida protetiva apresentado por Emiliane em março deste ano foi negado. Segundo o tribunal, a decisão acompanhou manifestação do Ministério Público, que apontou ausência de elementos que demonstrassem a situação de risco e indicou que um novo pedido poderia ser apresentado diante de fatos concretos.
Mais de cinco dias em cativeiro
Emiliane desapareceu na segunda-feira (17), depois de ser vista por uma câmera de segurança saindo de uma clínica. Ela só foi encontrada na sexta-feira (21), em uma casa no Setor Jardim América III.
Segundo a Polícia Militar, a jovem estava em um dos quartos amordaçada e com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente. Ela também estava com uma máscara no rosto e apresentava dificuldade para respirar.
Ailton foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ele confessou ter dopado a ex-companheira com medicamentos antidepressivos e levado Emiliane para o cativeiro. Uma pistola calibre 9 mm também foi apreendida no imóvel.
Após o resgate, Emiliane relatou que o ex já teria estourado bombas na casa dela, quebrado uma câmera de segurança e colocado soda cáustica na caixa d'água. Ela também contou que, durante o sequestro, foi atacada com um pano molhado com uma substância e que acordou no cativeiro já amarrada.
Agora, após deixar o hospital, a jovem diz esperar que o ex permaneça preso e seja responsabilizado.
“Que eu possa viver a minha vida tranquilamente e que ele pague pelos erros dele', disse Emiliane.
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