Brasil/Mundo
EUA impõem tarifas de 50% sobre produtos canadenses
Novas tarifas marcam aumento nas tensões entre Trump e Carney
| DAVID LAWDER E PROMIT MUKHERJEE*
Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre alguns produtos canadenses neste sábado, depois que os dois aliados de longa data não conseguiram chegar a um acordo comercial, com cada lado acusando o outro de inviabilizar dias de negociações.
As tarifas, que entraram em vigor logo após a meia-noite sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses — itens como tacos de madeira de hóquei no gelo, que quase não são mais usados —, estão longe de ser um divisor de águas econômico para o maior parceiro comercial dos EUA depois do México. Isso representa pouco mais de 5% das exportações do Canadá para os EUA.
As novas tarifas marcam um aumento nas tensões entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Mark Carney e provavelmente tornarão mais difíceis as negociações mais amplas para renovar o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá.
Carney afirmou que havia suspendido as negociações comerciais e que o Canadá retaliaria “dólar por dólar' contra as novas tarifas.
“Decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e instruí os negociadores do Canadá a retornarem a Ottawa', disse Carney em comunicado.
“Eles (os negociadores) trabalharam arduamente, de boa-fé, para defender os interesses dos canadenses ao longo dessas negociações até o último minuto', disse ele. “No entanto, as mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA foram injustas, antieconômicas e colocaram em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo.'
Carney, a única pessoa a já ter chefiado os bancos centrais de duas grandes economias, foi eleito no ano passado com a promessa de enfrentar Trump e continua amplamente popular. Pesquisas mostram que a maioria dos canadenses se opõe a fazer quaisquer concessões a Trump.
Horas antes, os dois lados pareciam estar próximos de um acordo que, segundo fontes, teria reduzido as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis e, potencialmente, trazido bebidas alcoólicas americanas de volta às lojas de bebidas canadenses.
“Esta noite, o Canadá se recusou a finalizar o acordo comercial nos termos acordados no início desta semana', disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, durante uma coletiva na Casa Branca.
“Esta é uma oportunidade perdida para o Canadá se associar aos Estados Unidos, que são a economia que mais cresce no G7', disse Greer.
Uma autoridade de alto escalão do governo Trump disse que a oferta dos EUA teria colocado o Canadá na melhor posição tarifária entre todos os principais exportadores para os EUA, mas que o Canadá havia buscado concessões adicionais, especialmente em relação ao aço, ao alumínio, aos automóveis e à madeira macia.
Não há novas negociações agendadas, já que os EUA estão implementando as novas tarifas, disse o funcionário.
No mês passado, Trump ameaçou impor uma série de tarifas sobre diversos produtos canadenses importados, incluindo vinho, móveis, laticínios, cimento, roupas, varas de pesca e equipamentos de hóquei.
As tarifas, que não se qualificam para tratamento preferencial sob o Acordo de Livre Comércio entre EUA, México e Canadá, expõem alguns setores já vulneráveis a possíveis danos graves que poderiam levar à perda de empregos e ao fechamento de empresas, segundo especialistas em comércio.
A decisão do governo dos EUA veio após três dias de negociações em Washington entre o ministro do Comércio do Canadá para as Relações com os EUA, Dominic LeBlanc, e Greer.
As novas tarifas se somam às já existentes nos EUA sobre aço, madeira serrada e automóveis, que sofreram forte impacto nos últimos 18 meses, embora o mal-estar tenha sido amplamente contido dentro desses setores.
*Com colaboração de Promit Mukherjee, Greg Savoy, Trevor Hunnicutt e Caroline Stauffer
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