Trump foi escondido em caminhão e fez voo secreto por ameaça do Irã, diz jornal

Operação teria ocorrido após ameaça do Irã; presidente trocou de avião e deixou jornalistas acreditando que ele estava no antigo Air Force One

| ÚLTIMO SEGUNDO / NATHáLIA FONTESNATHáLIA FONTESFORMADA EM JORNALISMO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF), COM EXPERIêNCIA EM GESTãO DE REDES SOCIAIS E PRODUçãO DE REPORTAGENS. AO LONGO DA CARREIRA, COLABOROU COM VEíCULOS COMO TRIBUNA DE MINAS


- Divulgação/ White HouseDonald Trump
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sido retirado secretamente da Turquia  em uma operação de segurança que envolveu um caminhão de alimentos e a troca de aeronave, segundo reportagem do The Washington Post. A medida ocorreu em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e após informações sobre uma possível ameaça iraniana contra o presidente americano.

Trump estava na Turquia para participar da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Ancara. Na viagem de volta, ele inicialmente anunciou na Truth Social que deixaria o país no novo Air Force One, um Boeing 747 recebido como presente do Catar.

No entanto, pouco antes da partida Trump decidiu usar o antigo avião presidencial. A operação teria sido ainda mais complexa, já que segundo o Washington Post, o presidente teria embarcado em um C-32A, uma aeronave militar menor, depois de ser transportado de forma discreta por um caminhão normalmente utilizado para levar alimentos aos aviões.

A movimentação teria feito com que jornalistas e parte da equipe presidencial acreditassem que Trump estava no antigo Air Force One, enquanto ele seguia em outra aeronave.

A mudança ocorreu em um momento de forte escalada militar entre Washington e Teerã.

Na mesma semana da cúpula da Otan, Estados Unidos e Irã haviam trocado novos ataques. As forças americanas atingiram dezenas de alvos iranianos, enquanto o Irã lançou drones e mísseis contra posições dos EUA no Oriente Médio, incluindo bases no Bahrein e no Kuwait.

Trump afirmou, durante a cúpula em Ancara, que considerava encerrado o cessar-fogo entre os dois países e ameaçou realizar novos ataques contra o Irã.

A tensão também estava relacionada ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo. Segundo o Washington Post, os ataques americanos ocorreram após ofensivas iranianas contra navios na região.

A preocupação com a segurança do presidente aumentou após Israel compartilhar com os Estados Unidos informações de inteligência sobre um suposto plano específico do Irã para assassinar Trump, segundo informações divulgadas por veículos americanos.

A notícia foi publicada em 9 de julho, um dia depois da viagem de Trump à Turquia. Segundo relatos citados pela imprensa, os Estados Unidos já monitoravam informações sobre possíveis planos contra o presidente, mas o alerta israelense teria apontado para uma ameaça mais específica.

Trump chegou a dizer que se considerava um alvo recorrente do governo iraniano.

“Eles querem eliminar o líder dos EUA, eu', afirmou o presidente durante a viagem. Segundo a AFP, ele também declarou que estava “em todas as listas' de possíveis alvos iranianos.

A mudança de aeronave já havia provocado especulações antes da revelação da operação secreta.

Trump havia viajado para a Turquia no novo Air Force One, um Boeing 747 oferecido pelo Catar e adaptado para uso presidencial. Contudo, na volta anunciou que utilizaria um modelo mais antigo.

Na época, Trump afirmou que o novo avião seria levado ao Reino Unido para que militares americanos pudessem conhecê-lo e disse que voltaria aos Estados Unidos no avião antigo “por nostalgia'.

A troca ocorreu justamente quando as tensões com o Irã estavam em alta.

O novo avião também havia levantado questionamentos sobre seus sistemas de defesa, uma vez que a aeronave recebida do Catar não contava inicialmente com alguns dos mesmos sistemas de proteção instalados nos aviões presidenciais americanos mais antigos.

Trump, por sua vez, negou que uma ameaça iraniana tivesse sido o motivo da troca. Questionado sobre o assunto, afirmou que está constantemente sob ameaça e voltou a dizer que é um dos principais alvos do Irã.

Segundo a nova reportagem do Washington Post, a operação foi além da simples troca de avião.

Trump teria sido colocado em um caminhão de catering, usado normalmente para transportar alimentos e outros suprimentos para aeronaves. O veículo teria permitido que o presidente se deslocasse de maneira menos perceptível até a aeronave militar.

Enquanto isso, o antigo Air Force One permaneceu como parte da estratégia para manter a impressão de que Trump estava a bordo.

Jornalistas que acompanhavam a viagem teriam seguido no avião antigo, enquanto o presidente utilizava outra aeronave.

A operação teria sido realizada para dificultar a identificação da localização de Trump em um momento em que os Estados Unidos estavam envolvidos em um confronto militar direto com o Irã.

Em 11 de julho, Trump afirmou que havia determinado que as Forças Armadas americanas estivessem preparadas para uma eventual resposta caso o Irã tentasse assassiná-lo. O presidente chegou a dizer que mil mísseis estavam preparados para serem lançados contra o país, além de ameaçar destruir completamente áreas iranianas.

As declarações ocorreram poucos dias depois dos ataques realizados pelos dois países e da ameaça de Trump de retomar as ofensivas.

O episódio da saída da Turquia ocorreu em um dos momentos mais delicados da escalada entre Washington e Teerã, com ataques militares, ameaças públicas e informações de inteligência sobre possíveis planos contra o presidente americano.

O Washington Post afirma ter reconstruído a operação a partir de fontes familiarizadas com o deslocamento presidencial e de materiais relacionados à viagem. As fontes consultadas pelo jornal falaram sob condição de anonimato.



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