Esportes
Como os próximos adversários do Brasil estrearam na Copa
Haiti e Escócia fizeram um 1ºtempo acima das expectativas. Entenda os pontos fortes e fracos deles
| GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO COUTINHO
Depois da fraca atuação do Brasil na estreia da Copa do Mundo e do duelo movimentado que deu a liderança do Grupo C para a Escócia, na noite deste sábado, o torcedor brasileiro mais atento começou a ter uma preocupação maior do que havia anteriormente com os próximos rivais da Seleção na chave. É hora de entender o que escoceses e haitianos fizeram de bom e de ruim em Boston.
A Escócia mostrou mais capacidade técnica e repertório tático por um tempo maior, mas o Haiti vendeu caro a derrota. Esbanjou disposição e agressividade em momentos diferentes da partida, apesar dos evidentes problemas. O experiente McGinn fez o gol da primeira vitória de uma seleção europeia na Copa do Mundo 2026. O jovem Gannon-Doak foi o melhor em campo.
Escalações
O francês Sébastien Migné não fez nenhuma mexida surpreendente no Haiti, que foi montado em seu tradicional 4-4-2 com a base da maioria dos jogos recentes. Steve Clark também montou a Escócia no 4-4-2 e escolheu Angus Gunn como goleiro. McGinn ganhou chance na meia-esquerda.
O jogo
Buscar conexões pelos lados para avançar e fazer cruzamentos para a área foi a estratégia inicial da Escócia para entrar na defesa do Haiti. Robertson era o lateral com mais liberdade de avanço e jogou bem aberto pela esquerda. McGinn circulava para o meio e abria espaço para isso.
Na direita, a dinâmica era diferente. O habilidoso Gannon-Doak se mantinha em amplitude e Hickey segurava por trás da linha da bola. Não deixava, no entanto, de oferecer apoio ao ponta, que conseguiu desequilibrar e vencer quase todos os duelos contra o lateral Expérience. McTominay se projetava e fazia companhia a Che Adams e Shankland na tentativa de finalizar os ataques.
O volante do Napoli arrematou duas vezes com perigo antes dos 20 minutos. Acertou a trave em uma delas. Mas o Haiti conseguiu mostrar boas ferramentas também. Inicialmente reativa, a seleção caribenha foi encaixando boas pressões na bola com seus volantes em bloco médio. Desarmava e acelerava. Jean-Jacques e Deedson se complementavam nesse aspecto e levaram o time ao ataque.
A confiança aumentou e a seleção haitiana se sentiu um pouco mais confortável para também ter a bola. Entrar mais vezes em fase ofensiva. Buscava projetar os dois laterais simultâneamente, bem abertos no campo de ataque. Trazia Deedson e Providence para perto da dupla de área, mas o repertório neste cenário era limitado. Em transições rápidas o rendimento era superior.
O centroavante Pierrot muitas vezes foi alvo de passes rápidos e diretos. Controlava a bola no pivô e acionava um dos homens de lado de campo em velocidade. Foi exatamente assim que Providence driblou o lateral Hickey e obrigou Angus Gunn a fazer boas defesa aos 33'. Os homens de lado de campo do Haiti mostraram capacidade de enfretamento individual, mas o time já perdia a esta altura.
Che Adams, homem mais móvel e técnico do centro do ataque escocês, recebeu um bom lançamento em profundidade do zagueiro Hanley e tramou com Gannon-Doak antes de finalizar para a defesa de Placidé. McGinn, que fazia boas conexões com Robertson pela esquerda, não perdoou e abriu o placar no rebote.
A Escócia passou a marcar mais atrás com a vantagem no placar, mas não abdicou da bola quando era possível tê-la. Gannon-Doak, reserva de Rayan no Bournemouth, seguiu infernizando o lado esquerdo da defesa haitiana, sem dúvida o setor mais frágil do time.
O Haiti subiu a marcação na volta para o 2º tempo e obrigou a Escócia a fazer mais ligações diretas. Elas não surtiram efeito, mas a seleção caribenha também encontrava problemas para produzir ao se ver sem espaço para encaixar transições rápidas. Já os europeus achavam tal condição depois de neutralizarem as tentativas de criação rival. Robertson foi acionado algumas vezes pela esquerda.
Os Granadeiros não mantiveram a pressão e permitiram aos britânicos mais avanços depois dos 20 minutos. McGinn quase ampliou em um deles. Providence seguia sendo o jogador mais perigoso do aatque do Haiti. Tanto que Hickey, lateral-direito que já tinha amarelo, foi substituído por Patterson. Che Adams também saiu para a entrada de Dykes no ataque.
Sébastién Migné sacou o apagadíssimo Isidor, uma das esperanças de ataque dos caribenhos. Jospeh foi uma opção mais viva dentro da área. Ajudou o Haiti na pressão que se intensificou depois dos 30 minutos. Casimir já havia substituído Deedson pela direita. Fortuné na vaga do exausto Providence foi a última das três mexidas. Reflexo claro da limitação do banco de reservas.
Mesmo assim o empate quase foi alcançado em bela cabeçada do centroavante Pierrot, que se impôs fisicamente diante de zagueiros fortes. A Escócia não segurou a bola no ataque nos instantes finais e correu um sério risco de ver os três pontos escaparem. Ainda quase teve um jogador expulso nos acréscimos. Se tivesse enfrentado um time mais talentoso a história fatalmente seria diferente.
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