Mães solo redefinem o conceito de família e enfrentam sozinhas o peso de uma criação

Em um país onde milhões de mulheres sustentam e chefiam seus lares sem apoio paterno, histórias como a de Juliana de Oliveira mostram como amor e resistência caminham juntos

| A CRíTICA


No Dia das Mães, a relação de Juliana com seu filho, Gabriel, traduz a rotina de afeto e cuidado. (Foto: Arquivo Pessoal)
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Você sabe o que significa família? Para o dicionário, representa: Pessoas em que relações foram estabelecidas pelo casamento, por filiação ou pelo processo de adoção. Mesmo antes das pessoas conhecerem a definição da palavra, a sociedade impõe que as famílias sejam estruturadas e constituídas por um pai, uma mãe e filhos. Porém, essa não é a realidade de muitos lares.

É o que acontece com a professora de Campo Grande, Juliana de Oliveira, 41, que é mãe solo e vive com seu filho, Gabriel, de 1 ano e 8 meses. Juliana conta que sempre quis ser mãe, que corria contra o tempo para conseguir engravidar, e aos 38 anos conseguiu. Ela reforça que apesar das dificuldades, realizou seu sonho. “Ser mãe sempre foi um sonho na minha vida. Eu sempre quis constituir uma família, ter tudo estruturado, mas minha vida não foi assim”, diz.

Juliana relata que durante sua vida teve poucos relacionamentos amorosos, e que o pai de seu filho, não era seu namorado na época da gravidez. Ela conta que no começo não foi fácil aceitar que seria mãe solo, mas que com ajuda de seus familiares conseguiu superar esse desafio.

“Eu tinha medo dos julgamentos das pessoas, por não ter um marido. Tinha medo do que as pessoas podiam falar de mim’’, lamenta.

Segundo pesquisa mais recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, de 2022, mostra que, no Brasil, o número de mães solo supera os 11 milhões. Nos últimos  anos, o país ganhou 1,7 milhões de mães com a responsabilidade de ser o alicerce de seus filhos. Em Mato Grosso do Sul, também houve um aumento, nos últimos quatro anos, 14 mil crianças foram registradas sem o nome do pai.

As mães solo não apenas cuidam de seus filhos, mas sim trabalham e dedicam sua vida 100% a eles. As dificuldades são ainda maiores quando não se tem ajuda paterna, pois a mulher se sobrecarrega com os obstáculos da rotina no dia a dia. 

A psicóloga Elizandra Miranda, conta que antes de pensarmos nas mães solo, precisamos entender o conceito da maternidade. “Esse conceito subjetiva mulheres, dessa forma acaba determinando algumas questões, como a subalternidade e o amor incondicional. Além disso, a maternidade pode afetar a carreira de trabalho e acadêmica dessas mulheres”, conta.

A profissional reforça que vivemos em uma sociedade machista, e que o julgamento sobre essas mulheres é alto. Ela diz que as cobranças recaem muito sobre as mulheres, e que as mães são julgadas e questionadas a todo momento. “Quando um pai abandona um lar, ele não é questionado da mesma forma que uma mulher poderia ser”, afirma.

Com a existência das mães solo, um termo ganha importância nessa história, os domicílios monoparentais. É quando um dos genitores da criança assume a responsabilidade de criar os filhos sozinho. Na prática, apenas um dos pais vive com os filhos, sem a presença do marido/esposa ou companheiro/companheira no lar. Essa condição ocorre por fatores como: morte de um dos genitores, abandono ou maternidade precoce.

 



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