Campo Grande
Mãe prova que filha morta desnutrida lutava contra quatro doenças
| DOURADOSNEWS / DA REDAçãOC
A morte da pequena Valentina, atestada com um quadro grave de desnutrição, levou autoridades policiais à casa da família, na tarde desta quinta-feira, dia 23 de outubro, no Jardim Santa Emília, em Campo Grande. A mãe, ainda em luto, tenta provar que o quadro da filha decorria das doenças contra as quais ela lutava desde que nasceu: hidrocefalia, encefalocele, paralisia cerebral e erros inatos do metabolismo.
Um dia após a morte da filha, Marilu Fernandes atendeu à reportagem do Campo Grande News. Contou que, nesta quinta-feira, tudo parecia normal: havia dado a dieta da filha, como fazia todos os dias, e achou que ela dormia tranquila. Quando se aproximou para ajustar o equipamento, percebeu que o olhar da menina estava parado. “Falei para o meu filho olhar se a dieta estava descendo; ele disse que não. Quando fui ver, ela estava pálida, o olho virado. Eu comecei a gritar o nome dela”, contou.
Desesperada, a mãe saiu para a rua pedindo ajuda. Uma vizinha, que é enfermeira, ouviu os gritos e tentou reanimar a criança. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou pouco depois, mas Valentina já não apresentava sinais de vida. “Eles ainda tentaram o procedimento, mas eu ouvi quando falaram: Ela já está morta”, disse Marilu.
Segundo o site Campo Grande News, Valentina tinha cinco anos e uma lista de diagnósticos que a mãe conhece de cor: hidrocefalia, encefalocele, paralisia cerebral e erros inatos do metabolismo. “Ela nasceu com o cérebro fora da cabeça. O médico disse que ela viveria três dias fora do útero, mas eu quis ter. E ela viveu cinco anos”.
A menina era acamada, alimentava-se exclusivamente por dieta e dependia de medicações. Há um mês, ela havia saído da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) após mais duas cirurgias no cérebro. Marilu mostrou à reportagem laudos médicos que comprovam o quadro de saúde da filha e o acompanhamento constante. Também apresentou um documento que aponta a causa natural da morte.
Marilu conversando com a reportagem com laudos na mãe. (Foto: Geniffer Valeriano) “Ela não comia alimentos sólidos; seguia uma dieta específica. Eu fazia tudo certinho: os horários, os remédios. Ela estava se recuperando. Eu não saía de perto dela”, contou. No momento da morte, além de Marilu, estavam em casa um tio, que é policial, e o filho mais novo, de 3 anos.
A casa é simples; a família é acompanhada pela assistência social, pela promotoria e por uma equipe médica. Marilu criou os três filhos praticamente sozinha. “Não é porque ela era assim que eu não a amava. Eu a amava mais do que tudo. Todo mundo a amava. Ela foi uma guerreira e lutou até o fim, e eu lutei junto com ela”.
A dona de casa contou ainda que estava em processo de conseguir atendimento domiciliar (home care), previsto para começar em cerca de 45 dias. “Era o que eu mais queria para que ela tivesse conforto aqui em casa”.
Abalada, Marilu diz que não consegue mais entrar no quarto da filha. “Depois do velório, quero me mudar. Eu entro ali e vejo tudo e lembro dela. Não dá'. Valentina deixou dois irmãos, de 10 e 3 anos.
O corpo de Valentina não apresentava sinais de violência, e o exame necroscópico confirmou a morte natural. O caso foi registrado como “morte decorrente de fato atípico” na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), que ouviu familiares e testemunhas.
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