Caos na saúde pública: sem fitas de glicemia e fraldas, pacientes e familiares se indignam com inércia da administração municipal

Pessoas internadas e suas famílias sentem-se abandonados diante de todo o aparente descaso

| MIDIAMAX/SCHIMENE WEBER, LIANA FEITOSA


UPA (Arquivo, Midiamax)
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Falta de remédios psiquiátricos. Falta de fitas para medição de glicemia. Agora, também, falta de fraldas. Esse é o drama que pacientes e seus familiares, que dependem da rede de saúde pública da Capital, têm enfrentado nos últimos meses.

Paciente que terá a identidade preservada teria dado entrada na UPA Coronel Antonino na última sexta-feira (22) e está aguardando uma vaga para uma unidade de saúde para internação. Para isso, precisa falar com o Assistente Social para tentar judicialização, mas parece que a profissional não foi trabalhar hoje. Além disso, à reportagem do Jornal Midiamax, a filha da paciente acabou de ser informada que a unidade está sem fita para medir a glicose da mãe dela. A paciente é diabética, tem insuficiência cardíaca e a saturação não está estabilizando. 

É importante lembrar que, no último dia 17 de março, o Jornal Midiamax divulgou nota da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informando que o estoque seria reabastecido ainda naquela semana.

Também nesta segunda-feira (24), neta de idoso de 79 anos internado na UPA Guaicurus, procurou a reportagem para denunciar que, no local, não há fraldas para os idosos. “O pessoal do hospital liga, pede pra gente levar almoço, pede pra levar fralda. A Assistente Social falou que não há previsão para que ele vá para um hospital, então, a gente tem que ficar correndo atrás de fralda. Ele está na ala vermelha. Nós mal temos condições de pagar o aluguel. E, infelizmente, é essa a situação com a qual nos deparamos no momento”, finalizou.

Para evitar colapso na saúde, Sesau adota ‘medidas emergenciais’

Devido ao aumento de atendimento nas unidades de saúde e a superlotação nas unidades de urgência e emergência, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), emitiu nota informando ‘medidas emergenciais’ que serão tomadas como resposta para evitar possível colapso na rede de saúde.

A secretaria justificou que o volume dos atendimentos é causado por fatores como o agravamento de doenças respiratórias, agravamento de quadros crônicos e aumento nos casos médicos de baixa complexidade, o que levou a prefeitura a agir com um Plano de Contingência. 

“A secretaria está reorganizando fluxos, ampliando pontos de cuidado e orientando a população sobre a busca por atendimento adequado, a fim de garantir a assistência segura e minimizar os impactos sobre o sistema de saúde', diz a nota. 

Medidas emergenciais 

A Sesau informou que será feita a redefinição do uso de espaços físicos e ampliação de pontos de cuidado, como áreas para hidratação, observação rápida e inalação. A equipe médica também passará por mudanças na organização e será feito o envio da EMAC ao escritório de monitoramento clínico, conforme necessidade das unidades com maior demanda.

Além disso, será feito o mapeamento de áreas para possível expansão temporária de leitos nas unidades de urgência e atendimento por demanda espontânea nas unidades básicas;

Outra medida tomada será o remanejamento de pacientes entre as unidades de urgência para atendimento seguro, principalmente crianças para unidades com escala infantil 24h e a avaliação de possibilidade de alta para antibioticoterapia em casa com o auxílio do Serviço de Atendimento Domiciliar aos pacientes.

Orientações para a população 

A orientação da Sesau é para que os pacientes busquem o atendimento nos locais adequados para cada tipo de emergência médica. 

Pacientes com casos mais graves (classificação amarela), que necessitam de atendimento urgente, devem se dirigir a uma unidade de saúde 24h, como os CRS (Centros de Regulação de Serviços) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

Os casos leves (classificação azul e verde), onde o paciente apresenta, por exemplo, sintomas gripais leves e pequenas queixas de saúde, devem procurar atendimento nas USFs (Unidades de Saúde da Família). 

Superlotação na Santa Casa 

A Santa Casa de Campo Grande divulgou um ofício na manhã desta segunda-feira (24) pedindo para não serem mais encaminhados novos pacientes à unidade de saúde devido à superlotação do hospital.

O pedido foi encaminhado à Coordenadoria de Urgências, ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), à Central de Regulação Hospitalar, à Central de Regulação Estadual e à 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.

Segundo o hospital, o setor de urgência e emergência é projetado para acomodar 13 leitos, mas encontra-se neste momento com mais de 80 pacientes internados, conforme os dados atualizados às 9h de hoje.

O cenário está gerando sobrecarga nos serviços prestados pela Santa Casa, principalmente em relação aos insumos, que se encontram em “situação crítica de escassez', conforme divulgado no ofício.

Longa espera em unidade de saúde

Pacientes que procuraram a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Universitário, na manhã desta segunda-feira (24), relatam ao Jornal Midiamax falta de atendimento, longas filas de espera e apenas dois médicos atendendo a população.

“Desde a hora que cheguei, às 6h, não chamaram ninguém. Somente para triagem. Enquanto isso, tem gente que está em pé, porque acabaram as cadeiras. Essa situação é desumana', explicou leitor do Jornal Midiamax que preferiu não se identificar.



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