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Perícia psicológica é aliada em investigações de casos de abusos sexual infanto-juvenil em Dourados

A modalidade é nova no Estado, vem sendo aplicada há menos de 3 anos
18/05/2020 16:24 Região
Regina Célia de Souza DiasPsicóloga de Atendimento da Delegacia da Mulher em Dourados
Regina Célia de Souza DiasPsicóloga de Atendimento da Delegacia da Mulher em Dourados

Em Dourados, a perícia psicológica tem sido uma grande aliada na investigação dos casos de abuso sexual infanto-juvenil, principalmente quando não há evidências físicas do crime. A psicóloga Regina Célia de Souza Dias, que é a única Perita por formação em avaliação psicológica em Mato Grosso do Sul, atende na Delegacia da Mulher do município.

A profissional pós-graduada em Avaliação e Pericia Psicológica, explicou ao Jornal O PROGRESSO que após o registro do boletim de Ocorrência, em casos de suspeitas de abuso sexual infanto-juvenil, são agendadas sessões a fim de realizar a perícia psicológica. Atualmente, as perícias psicológicas nos casos de abuso sexual têm ganhado espaço no contexto jurídico. Neste meio, este tipo de avaliação é cada vez mais solicitada e pode ser considerada pela autoridade jurídica como um dos meios de prova da ocorrência do crime em questão.

"O objetivo é oferecer atendimento especializado, assim como garante a Lei 13.431 de Abril de 2017, respeitando a Doutrina de Proteção Integral da criança e adolescente, não apenas com a finalidade de produção de prova, mas pela preocupação da reestruturação, evitar a revitimização, orientação da importância do tratamento psicológico e acesso às políticas públicas pelas vítimas e/ou seus familiares", pontuou Regina.

A perícia é realizada com a vítima, iniciando-se com entrevista semi-estruturada/ anamnese (história clínica) com os pais, quando não se trata de abuso sexual intrafamiliar. Em 2019, a policia Civil de Dourados registrou 96 casos de abuso sexual entre crianças e adolescentes.

Com base nas experiências dos casos que atende, a psicóloga relatou que na maioria das vezes, quem pratica o crime são pessoas do convívio da vítima. "Os agressores que visam crianças precisam necessariamente da confiança das crianças e/ou adolescentes para se aproximarem e conseguirem mantê-las em silêncio, seja por meio de ameaças veladas ou explícitas, lembrando que essas ameaças normalmente envolvem pessoas queridas às vítimas, fazendo com que elas se calem", alertou Regina. Em relação às mulheres adultas, a psicóloga explica que o perfil de agressores é bem mais amplo, pois não necessariamente utilizarão do vínculo de confiança para praticar o crime, que necessariamente envolve violência física e/ou grave ameaça, ao contrário das crianças e adolescentes que podem sofrer o crime de estupro de vulnerável sem a incidência de violência física e/ou grave ameaça.

Alerta aos sinais

De acordo com Regina, crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual podem apresentar comportamentos inadequados com brinquedos e objetos, isolamento, medos inexplicáveis, ataques de raiva, mudanças nos hábitos alimentares, podendo regredir para um estágio anterior de desenvolvimento, no qual expressa sua necessidade de cuidado e carinho extras. Assim como apresentar pesadelos e distúrbios do sono, sentir-se insegura, fazer xixi na cama, vergonha, timidez, ansiedade, falta de confiança e iniciativa, inadequação, falta de espontaneidade e apresentar-se superdocil, como também supersensibilidade as necessidades e atitudes dos outros. "As crianças são capazes de demonstrar aos pais e professores uma larga variedade de impactos, podendo conter significados específicos", alertou Regina. Em relação ao início dos abusos, a psicóloga afirma que é complicado apontar uma ou outra forma, em virtude da amplitude de possibilidades de praticar o abuso contra crianças e/ou adolescentes, uma vez que há situações em que elas podem nem entender que estão sendo vítimas de crime de tamanha gravidade.

Importância do tratamento

Regina destaca que o tratamento é fundamental em qualquer situação de sofrimento, no entanto não seria este a única condição para que não haja sequelas emocionais das vítimas. "O abuso sexual provoca uma marca singular para cada indivíduo, desta forma as consequências também são singulares. Irá depender muito do repertório simbólico que cada um possui na elaboração do trauma, que pode ser bem-sucedida ou não. Desta forma umas pessoas apesar da dor, conseguem impulsionar-se para a vida por meio da aceitação, de estabelecimento de vínculos saudáveis que irão ajudá-las a retomar a vida no contexto geral", esclareceu a psicóloga.

"Entretanto outras podem não conseguir superar o trauma deixado pela violência, podendo apresentar várias consequências. Dentre elas, podemos citar distúrbios da sexualidade, agravos da saúde mental, comprometimento emocional, insegurança, medo, baixa autoestima, dificuldades em estabelecer vinculo, etc", finalizou Regina.

Fonte: Cristina Nunes / Dourados Agora

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