João de Deus e a mulher são indiciados pela Polícia Civil por posse ilegal de armas

10/01/2019 12:58 Policial
Armas e dinheiro foram achados no quarto de João de Deus — Foto: Murillo Velasco/G1
Armas e dinheiro foram achados no quarto de João de Deus — Foto: Murillo Velasco/G1

O médium João de Deus, de 77 anos, e a mulher dele, Ana Keyla Teixeira, de 40, foram indiciados pela Polícia Civil por posse ilegal de armas. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (10), durante coletiva concedida pela delegada Karla Fernandes, em Goiânia. Ela também anunciou o fim da força-tarefa da corporação criada para investigar as denúncias contra o religioso.

Agora, os inquéritos são enviados para o Poder Judiciário, que encaminha para análise do Ministério Público, que pode oferecer a denúncia, pedir o arquivamento ou solicitar novas diligências policiais. Se houver denúncia, a Justiça pode aceitá-la ou não. Aceitando, o denunciado vira réu e será condenado ou absolvido pela Justiça.

O médium foi preso após as denúncias de abusos sexuais durante os atendimentos espirituais que realizava. Ele está detido no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. João de Deus sempre negou os crimes.

"A força-tarefa da Polícia Civil encerrou todos os seus procedimentos porque já foram indicados em dois [casos] por posse ilegal de arma tanto o João de Deus, como a esposa dele, Ana Keyla, uma vez que ambos moram nas mesmas residências, tanto de Abadiânia, como Anápolis. Nas duas cidades houve apreensão de armas de fogo", afirmou a delegada. 

Sobre as armas, um dos advogados de João de Deus, Alex Neder, disse que o médium relatou em depoimento à polícia, na cadeia, que as armas eram de pessoas que queriam tentar se matar ou como “garantia” de empréstimos.

De acordo com a delegada, a força-tarefa deve ser finalizada nesta semana. Só ficará em aberto a investigação de lavagem de dinheiro, devido aos mais de R$ 1,6 milhão encontrados escondidos em imóveis do médium, e da origem das pedras preciosas.

Os delegados da Delegacia Estadual de Investigações Criminais devem concluir esses procedimentos após a conclusão de laudos periciais.

Outros crimes

Além disso, ainda conforme Karla, João de Deus foi indiciado por violação sexual mediante fraude. Segundo ela, o crime ocorreu há mais de dois anos e a vítima, de 30, mora em São Paulo.

"Em relação aos abusos nós também estamos encaminhando [inquérito] hoje sendo indicado por fato ocorrido em 2016 em que a vítima representou na data correta e reside em São Paulo. Esse inquérito já tinha sido instaurado em agosto do ano passado e está sendo também enviado com indiciamento", informou.

A delegada explicou ainda que concluiu outros quatro inquéritos relacionados a crimes sexuais. Porém, nestes casos, foi sugerido o arquivamento.

"Os outros quatro, que estavam também em andamento estão também sendo relatados sugerindo arquivamento, uma vez que tem extinção de punibilidade, ou seja, todos os procedimentos em andamento na Polícia Civil até o presente momento estão sendo encaminhados ao Poder Judiciário, tanto de Abadiânia quanto de Anápolis", explicou.

Conforme a delegada, são três casos de estupro de vulnerável contra pessoas com menos de 13 anos, que ocorreram em 1987, 1989 e 1990. O outro é referente a um caso de 2005, por violação sexual mediante fraude.

Interrogatório

A delegada interrogou João de Deus na cadeia, na quarta-feira (9), pelo crime de posse ilegal de arma de fogo. Ela ficou por cerca de duas horas no local.

Essa foi a segunda vez que o médium foi ouvido pela corporação. A primeira foi logo após ele se entregar à Polícia Civil, em 16 de dezembro do ano passado,>Já Ana Keyla foi ouvida pela polícia durante 2h, no último dia 26 de dezembro, na Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), em Goiânia. Na ocasião, ela afirmou que não acreditava nas denúncias de abuso sexual contra o marido e que também não as aceitaria.

A delegada não acredita na versão de Ana Keyla de que ela não sabia da existência das armas devido aos locais em que elas foram encontradas.

“Uma vez que residem no mesmo local, ambas as pessoas são responsáveis tendo conhecimento. Armas estavam, inclusive, em gavetas de peças íntimas dela. Não tem como morar no local e não saber que tem arma dentro de uma gaveta que ela mesma usa”, afirmou a Karla.

 

 

Fonte: G1/Globo

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