Cinco corpos do incêndio no Flamengo só poderão ser identificados por DNA

10/02/2019 06:32 Policial
Quem são os 10 garotos mortos no incêndio do CT do Flamengo — Foto: Arte/G1
Quem são os 10 garotos mortos no incêndio do CT do Flamengo — Foto: Arte/G1

Cinco corpos do incêndio no Flamengo só poderão ser identificados por exames de DNA. O G1 e o GloboEsporte.com apuraram não haver condições para o reconhecimento por métodos tradicionais, como impressões digitais ou arcada dentária.

Neste sábado (9), quatro dos 10 corpos foram identificados (veja lista abaixo), e legistas esperam chegar ao nome de um quinto em breve.

Nos demais, entretanto, será preciso recorrer a teste genéticos, o que pode demorar semanas: será preciso colher material de parentes - como saliva, células da bochecha ou fios de cabelo - e compará-los com o dos corpos.

O incêndio aconteceu na sexta (8). Todas as vítimas eram atletas da base do time – tinham entre 14 e 16 anos. De acordo com o clube, há três jovens internados, dois deles em situação estável e conscientes; o terceiro está em estado grave. O fogo destruiu parte dos alojamentos em que eles estavam. A suspeita é que a causa seja um curto-circuito no ar-condicionado.

O Flamengo chegou a entregar imagens das arcadas dentárias dos atletas na esperança de agilizar a liberação dos corpos do Instituto Médico-Legal do Rio (IML). Mas não será possível nos corpos que ainda aguardam perícia.

Corpos identificados:

Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, liberado do IML na madrugada. O enterro será neste sábado em Volta Redonda (RJ);
Bernardo Pisetta, ainda no IML;
Pablo Henrique da Silva Matos, identificado por impressões digitais e liberado do IML na madrugada. O enterro será neste sábado em Oliveira (MG);
Victor Isaías, ainda no IML.
Aguardam identificação e liberação:
Athila Paixão, de 14 anos;
Christian Esmério, 15 anos;
Gedson Santos, 14 anos;
Jorge Eduardo Santos, 15 anos;
Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos;
Samuel Thomas Rosa, 15 anos.

Relembre a tragédia


O INCÊNDIO

A tragédia aconteceu no fim da madrugada de sexta (8) no Ninho do Urubu, como é conhecido o Centro de Treinamento Jorge Helal, em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio;

Foram dez mortos e três feridos. Treze escaparam ilesos;

No alojamento, dormiam garotos de 14 a 17 anos dos times juniores do Flamengo;

Por causa do temporal da última quinta (7), que deixara o Ninho do Urubu sem luz, treinos foram cancelados. Com isso, jovens que tinham residência no Rio puderam dormir em suas casas;

O incêndio começou às 5h07 em um dos seis módulos de contêineres adaptados para dormitórios. A hipótese mais provável é um curto-circuito em um ar-condicionado;

Imagens obtidas pela TV Globo mostram jovens saindo do alojamento quando o fogo já ardia em um dos quartos. Câmeras de segurança registraram ainda explosões e muita fumaça. Tentativas de debelá-lo com água de bebedouros e extintores foram em vão;

Bombeiros chegaram rapidamente, mas já encontraram os contêineres envoltos em chamas. O fogo foi apagado às 6h30;

Três atletas foram levados para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra. Em estado mais grave está Jhonatan Ventura, com queimaduras em um terço do corpo;

Dez jovens foram encontrados sem vida. Todos vieram de fora da cidade do Rio.

A INVESTIGAÇÃO

Tanto a Prefeitura do Rio quanto o Corpo de Bombeiros do RJ afirmam que o CT do Flamengo tem pendências no licenciamento;

Segundo os bombeiros, o Ninho do Urubu ainda não tem o Certificado de Aprovação, que atesta o esquema contra incêndios. A corporação afirma que a documentação está em processo de regularização;

Já a prefeitura informou que o dormitório não tem licença. "A área de alojamento atingida pelo incêndio não consta do último projeto aprovado pela área de licenciamento, no dia 5 de abril de 2018, como edificada", diz em nota. "No projeto protocolado, a área está descrita como um estacionamento", frisa a prefeitura;

O município acrescentou que a atual licença do CT tem validade até 8 de março deste ano e que "não há registros de novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitórios".

Fonte: G1

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