MAIS FÉRTIL: Fiz laqueadura e quero engravidar! É possível?

07/02/2020 12:46 Mulher
MAIS FÉRTIL: Fiz laqueadura e quero engravidar! É possível?
MAIS FÉRTIL: Fiz laqueadura e quero engravidar! É possível?

O Brasil, ao lado da china e da índia, apresenta os maiores índices de cirurgia da laqueadura na mulher em idade reprodutiva. Quatro em cada dez mulheres brasileiras realizam a laqueadura tubária.

No procedimento de laqueadura, as trompas são cortadas, interrompendo a possibilidade do encontro do espermatozóide com o óvulo. A paciente deve possuir mais de 25 anos de idade e, no mínimo, dois filhos. Antes da realização do procedimento, existe o dever de informar a paciente que existem outros métodos contraceptivos muito eficientes e que não são definitivos. Este tipo de procedimento deve ser realizado após muita reflexão, pois a taxa de arrependimento também é muito alta.

No tratamento da infertilidade em mulheres anteriormente submetidas à laqueadura tubária duas opções estão disponíveis: a reversão cirúrgica da laqueadura através da recanalização tubária ou a fertilização in vitro (fiv clássica ou icsi).

As duas opções são possíveis, estando a decisão da escolha na dependência de diversos fatores, como idade da paciente, a concomitância com outros fatores de infertilidade, a possibilidade de acesso às técnicas de fertilização assistida, a capacidade técnica do médico em realizar a reanastomose cirúrgica das tubas uterinas, as condições anatômicas e funcionais dos cotos tubários, entre outros.

O grande número de variáveis a serem analisadas, as diferenças entre as taxas de gestação descritas obtidas por meio destas duas opções terapêuticas e as potenciais complicações oriundas das mesmas fazem com que, a decisão a ser tomada para uma paciente com antecedente de laqueadura tubária desejosa de gravidez, seja compartilhada com a paciente em questão, sendo que ambos os procedimentos devem ser considerados mais como complementares do que como competitivos, sendo a adequada seleção das pacientes, mediante a análise conjunta das diversas variáveis acima mencionadas, o ponto crucial para se determinar a melhor abordagem terapêutica em cada caso individual.

Na cirurgia de reversão, o médico tentará unir os dois lados antes separados e garantir uma boa irrigação sanguínea. Este é um procedimento microcirúrgico e exige muita destreza do cirurgião, pois as tubas uterinas saudáveis possuem um diâmetro médio de 3 a 5 mm. A cirurgia pode ser realizada por videolaparoscopia, cirurgia robótica ou laparotomia (corte na barriga – técnica atualmente em desuso).

É muito importante destacar que, após a cirurgia de reversão da laqueadura, a mulher terá de esperar algum tempo de tentativas para atingir a gravidez; geralmente, entre 1 a 2 anos, sendo que a taxa de gravidez, após este período, pode ser de 40% a 70% dependendo dos casos.

Para os casos em que a reversão da laqueadura não possa ser feita ou não traga sucesso, ou ainda para as mulheres com baixa reserva ovariana ou outros problemas de fertilidade associados, o mais recomendado e seguro é a fertilização in vitro. Ela consiste em extrair os óvulos e os espermatozoides do casal e, então, fecundá-los em laboratório, dispensando a necessidade das tubas uterinas. Após a fertilização, o embrião é transferido para o útero, e a gestação acontece normalmente.

Em reprodução humana as soluções devem ser individualizadas e por isso será o médico especialista a pessoa que apresentará as vantagens e desvantagens da reversão ou da fertilização in vitro (fiv) de acordo com seu caso para que você tenha toda a informação que precisa na hora de tomar uma decisão. Na vida mudamos nossos planos e nunca é tarde para correr atrás dos sonhos…

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana.

Fonte: dhojeinterior.com.br

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