Caos na Bolívia trava importação de matéria-prima de fertilizantes

MS tem indústrias que usam o produto; onda de protestos fecha rodovias e caminhões não conseguem carregar
17/11/2019 18:04 Brasil
Fábrica da YPFB em Bulo Bulo fabrica ureia e caminhões não estão conseguindo acessá-la - Mauricio Rocabado/Los Tiempos
Fábrica da YPFB em Bulo Bulo fabrica ureia e caminhões não estão conseguindo acessá-la - Mauricio Rocabado/Los Tiempos

A onda de protestos que toma conta da Bolívia travou o fornecimento ureia para o Brasil. O produto é matéria-prima para a fabricação de fertilizantes. Comunicado da Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB) informou os clientes que a rodovia Bulo Bulo – Santa Cruz está bloqueada e por isso os caminhões não estão conseguindo entrar na fábrica para encher as carrocerias.

“Diante da situação de força maior e dada a incerteza de não saber quanto tempo mais se manterão essas medidas (bloqueios), a YPFB está avaliando alternativas para tornar viável o carregamento e entrega dos fertilizantes, por isso apela à paciência e compreensão”, informa a nota.

Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, afirma que a situação “é preocupante, dado que o Brasil é o principal comprador da ureia boliviana. Vai acarretar demora e paralisação de caminhões na fronteira. Vamos acompanhar isso de perto”. O comunicado foi publicado nas redes sociais na estatal do país vizinho.

Na quarta-feira (13), um problema técnico fez cair a pressão nos ramos do gasoduto que atendem as cidades bolivianas de Cochabamba, Oruro e La Paz. Na ocasião, técnicos que tentavam consertar o problema não conseguiam acessar o defeito também por conta dos protestos nas rodovias.

“Este duto está ao norte e não atende o GSA (acordo de fornecimento de gás entre Brasil e Bolívia). Ele abastece Cochabamba e La Paz. Até que consertem também vão deixar de entregar à indústria, já que esse gás é mais de uso residencial”, disse o presidente da YPFB, Oscar Barriga, via MSGAS.

CONFUSÃO

O caos tomou conta da Bolívia desde o polêmico resultado das eleições presidenciais que reelegeram o socialista Evo Morales. Diante de suspeita de fraude, grupos travaram as ruas exigindo segundo turno, o que aconteceu inclusive em Puerto Quijarro, perto de Corumbá.

Uma equipe da Organização dos Estados Americanos (OEA) fez uma auditoria no pleito e encontrou uma série de irregularidades e inconsistências que acenderam ainda mais os indícios de trapaça.

Morales e seus aliados deixaram o governo. O ex-presidente foi em exílio para o México. Agora, apoiadores do socialista estão nas ruas em confrontos praticamente diários com as forças armadas.

Fonte: RICARDO CAMPOS JR. e SÚZAN BENITES / Correio do Estado

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