China cancela embarques de compras de produtos agrícolas dos EUA

03/06/2020 18:49 Agronegócio
"O presidente americano, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, participam de reunião bilateral durante cúpula do G20 em Osaka, Japão.| Foto: Brendan Smialowski / AFP" Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/breves/apos-cri

O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou na tarde desta quarta-feira (3) que estatais chinesas teriam cancelado o embarque de alguns produtos agrícolas norte-americanos diante da escalada das tensões entre Pequim e Washington. 

As informações partiram de algumas autoridades marítimas e dão conta de que "alguns carregamentos de ração, milho, carne suína - de 15 mil a 20 mil toneladas, carne bovina e algodão foram cancelados", segundo disse um executivo sênior chinês envolvido com as importações chinesas que pediu para não ser identificado. 

Se especula ainda de que a soja também está na lista e a publicação fala no cancelamento de 23 cargos de soja americana pelos chineses. 

Ainda de acordo com a fonte ouvida pelo TWSJ, "o movimento não contou com a participação de empresas privadas, mas essa atitude poderia ganhar mais corpo dependendo de como ficarão as relações entre China e Estados Unidos daqui para frente". 

Assim, mais representantes do setor logístico continuam bastante céticos sobre a China conseguir alcançar as metas estabelecidas para compras de produtos agrícolas norte-americanos este ano, como foi determinado na fase um do acordo comercial, em janeiro. 

O relacionamento já fragilizado entre chineses e americanos foi ainda mais deteriorado desde o início da pandemia do novo coronavírus, principalmente quando o vírus começou a chegar aos EUA, levando o presidente americano Donald Trump a fazer declarações bastante duras e agressivas contra a nação asiática. 

Segundo o site Notícias Agrícolas, Trump afirmou ainda que irá retirar o "tratamento privilegiado" que possui o território de Hong Kong, provocando ainda mais desalinhamento entre os dois países. Há meses, inúmeros protestos acontecem no território e os EUA já afirmaram não mais reconhecer Hong Kong como um território anônimo. 

Para Mário Mariano, analista de mercado da Novo Rumo Corretora, a notícia deverá continuar sendo monitorada pelo mercado internacional, principalmente atento a notícias como estas, porém, ainda sabe que são divergentes em determinados pontos. 

"Para soja especificamente não acredito (em grandes impactos), já que a notícia já está desacreditada em algumas perspectivas", explica, em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

Os rumores sobre cancelamentos e suspensões de compras por parte da China nos EUA estão aparecendo no mercado desde o início da semana, bem como o anúncio de novas vendas dos americanos para os chineses. Nesta terça foram 132 mil toneladas de soja para a nação asiática e hoje 168 mil para 'destinos não revelados'. 

"Na semana já temos rumores que se constrataram, principalmente em termos de impacto sobre o mercado. E esse rumor novo é mais uma negativo e é algo importante, mas precisamos ver se será confirmado. Em se confirmando, o mercado tende a voltar com um patamar mais baixo, testando de novo os US$ 8,40 e até mesmo os US$ 8,20, que era esperado se o rumor inicial se confirmasse. Mas o mercado está confuso e está esperando posicionamentos oficiais", diz o analista de mercado Luiz Fernando Gutierrez, da Safras & Mercado. 

 

 

Fonte: Itapora news

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