Mulher
Vivência como mãe de prematuro leva mulher a ajudar outras mulheres a superar esse desafio
Durante Novembro Roxo, ONG promove várias ações de conscientização
| TOP MíDIA NEWS/MéRI OLIVEIRA
O mês de novembro, é marcado, também, pela campanha de conscientização a respeito da prematuridade e, neste ano, o tema é '“Pequenas ações, grande impacto: contato pele a pele imediato para todos os bebês, em todos os lugares”, e, com ele, a ONG Prematuridade.com promove ações do “Novembro Roxo”, mês internacional de sensibilização para a causa, que chama a atenção da população para as causas e consequências do nascimento prematuro.
Karen Godoy tem 40 anos e é mãe de Miguel, de 10, que nasceu prematuro. Ela nos contou um pouco de sua vivência como mãe de prematuro.
'Ele nasceu prematuro, de 28 semanas, devido à minha infecção urinária. Estava com meu pré-natal em dia, tudo certinho, tinha até passado pelo meu obstetra na mesma semana, e essa infecção estourou minha bolsa, eu não sentia dor nenhuma, só o líquido descendo e, quando eu fui ao hospital, já fiquei internada e ele nasceu prematuro extremo'
A maternidade em si, para qualquer mamãe - experiente ou não - é desafiadora. Mas para a mãe de prematuro, o desafio pode ser ainda maior e, até, assustador.
'A vivência como mãe de prematuro é muito difícil, é uma montanha-russa. São mistos de emoções e medo. Um dia você tem medo, outro dia você agradece, aí depois volta tudo de novo, esse medo, essa angústia, porque o bebê prematuro é instável: um dia ele está bem, outro dia tem uma regressão imensa, que dá a impressão de que está começando tudo da estaca zero. Aí de repente ele progride, ganha peso, perde peso, precisa de transfusão. Enfim, é um misto de sentimento, é um misto de... É sentimento mesmo que eu vou falar. Entre medo e agradecimento, enfim, e muita fé, né?'
Assim, ela e o marido se apegaram à fé para conseguir passar por todo o período, que foi difícil. 'Eu e meu marido, a gente se apegou muito à fé, nós somos católicos, e a gente se apegou muito à Nossa Senhora, a fazer novena, a pedir para a Nossa Senhora, para o nosso menino, e a gente, graças a Deus, teve essa graça, concedida por ela, nosso milagrezinho, enfim, é um misto de emoção.'
ONG Prematuridade
A vivência acabou por levar Karen a tentar ajudar outras mães de prematuros.
Hoje eu sou voluntária da UNG Prematuridade, aqui no nosso estado. Já consegui duas leis para o nosso estado, o Dia Estadual da Prematuridade e o Dia Municipal da Prematuridade. Consegui essas duas datas importantes para o calendário do nosso estado, do nosso município, onde dia 17 de novembro, que foi o Dia Mundial da Prematuridade, realizamos ações para evitar o parto prematuro, para envolver políticas públicas, para evitar o parto prematuro, enfim. Até semana passada estava com a Câmara Municipal e a Torre da TV Morena com luz roxa em prol da dos prematurinhos. E é isso.'
Campanha
O slogan da campanha global enfatiza os benefícios do contato pele a pele precoce entre o recém-nascido e seus pais, especialmente para bebês prematuros extremos; é o que a ciência tem demonstrado por meio de diversos estudos.
Diante disso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e as instituições que compõem a GLANCE (Aliança Global para o Cuidado do Recém-nascido), incluindo a ONG Prematuridade.com, que representa o Brasil nessa rede, escolheram enfatizar novamente este tema em 2023.
O Brasil é o 10º país no ranking mundial de nascimentos prematuros. Aqui, cerca de 340 mil bebês nascem antes de completar 37 semanas de idade gestacional, todos os anos. Gravidez na adolescência, ausência de pré-natal, doenças relacionadas à gestação e a desinformação são alguns dos principais motivos dos altos índices de parto prematuro no Brasil, segundo um estudo da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
“O parto prematuro tem um impacto social imenso. Além do alto custo para a saúde, a prematuridade pode ter repercussões de longo prazo que afetam diretamente a saúde mental e física dos bebês e suas famílias e, consequentemente, impacta outros setores da sociedade como Assistência Social, Educação, Cidadania. Se unirmos forças com organizações da sociedade civil, governos, entidades profissionais e científicas e iniciativa privada, conseguiremos mudar esse cenário”, fala a diretora-executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani.
A campanha em alusão ao “Novembro Roxo” e ao 17 de novembro, Dia Mundial da Prematuridade de 2023, contará com uma ampla programação. Haverá encontros presenciais (caminhadas, piqueniques e palestras) por todo o Brasil, assim como ações virtuais - lives e webinários com profissionais de saúde, formadores de opinião e famílias de bebês prematuros.
O objetivo é chamar a atenção sobre o assunto e debater estratégias para mudanças positivas no cenário do parto prematuro nacional. Nas atividades programadas, estão confirmadas as participações de representantes da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria e de outras importantes instituições no contexto da prematuridade, além de celebridades, pais e familiares de prematuros e profissionais de saúde.
Também haverá o lançamento de uma revista especial da Turma da Mônica trazendo a temática da prematuridade. Somando às ações online e offline, monumentos, estádios de futebol e prédios públicos, como o Congresso Nacional e Assembleias Legislativas, serão iluminados na cor roxa, a cor-símbolo da causa.
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