Agronegócios
Exportações de MS à UE crescem 27,3%; Holanda lidera e celulose é destaque
Vendas ao bloco atingiram US$ 707 milhões, com avanço da soja e da carne bovina
| ANDERSON VIEGAS / CAMPO GRANDE NEWS
As exportações de Mato Grosso do Sul para a UE (União Europeia) cresceram 27,3% em receita nos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul (Mercado Comum do Sul) e o bloco europeu. Segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), entre maio e setembro de 2026, as vendas estaduais somaram US$ 707,045 milhões, ante US$ 555,254 milhões contabilizados no mesmo período de 2025, um incremento de US$ 151,791 milhões.
Os dados foram tabulados a partir do sistema ComexStat, do MDIC, considerando a soma das exportações de Mato Grosso do Sul para cada um dos países integrantes da União Europeia.
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia saiu do papel depois de mais de 25 anos de negociações, iniciadas em 1999. O entendimento foi anunciado em dezembro de 2024 e assinado em janeiro de 2026, no Paraguai. Após a aprovação pelo Congresso brasileiro, em março, as novas regras comerciais começaram a valer provisoriamente em 1º de maio, abrindo caminho para a redução gradual de tarifas e a ampliação do comércio entre os dois blocos.
No cenário nacional, as exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 30,7% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior . O resultado foi divulgado na terça-feira (13) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante evento em Brasília. O desempenho nacional ficou 3,4 pontos percentuais acima do registrado por Mato Grosso do Sul. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para o bloco alcançaram US$ 44,17 bilhões, crescimento de 20% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
Além do crescimento financeiro das operações, o levantamento estadual identificou ampliação da variedade de mercadorias comercializadas e do número de destinos. O recorte de 2025 aponta 37 produtos exportados para 18 países. Em 2026, foram 76, destinados a 19 nações europeias.
Celulose lidera exportações
A celulose permaneceu como o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul para a União Europeia. Entre maio e setembro de 2026, as vendas alcançaram US$ 294,79 milhões, ante US$ 261,56 milhões no mesmo período de 2025, crescimento de 12,7%.
O segundo produto do ranking foi o bagaço e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja, cuja receita aumentou 90%, passando de US$ 65,18 milhões para US$ 123,84 milhões. Na terceira posição aparece a carne bovina desossada congelada, com US$ 56,81 milhões, avanço de 119,5% sobre os US$ 25,89 milhões registrados em 2025.
O álcool etílico não desnaturado ocupou a quarta posição, com US$ 56,06 milhões em 2026. No mesmo período do ano anterior, não houve receita de exportação registrada para o produto.
Completando a lista dos cinco principais produtos, as farinhas e pellets resultantes da extração do óleo de soja movimentaram US$ 25,69 milhões, retração de 35,2% em relação aos US$ 39,67 milhões do ano anterior.
Juntos, esses cinco produtos movimentaram US$ 557,19 milhões, equivalentes a 78,8% de toda a receita estadual registrada nas exportações para os países europeus em 2026.
Holanda assume a liderança
Entre os países da União Europeia, a Holanda foi o principal destino das exportações de Mato Grosso do Sul. Nos cinco primeiros meses de aplicação provisória do acordo, as compras holandesas somaram US$ 289,02 milhões, o equivalente a 40,9% de toda a receita estadual obtida com os países do bloco.
O resultado representa crescimento de 107,6% em relação aos US$ 139,23 milhões registrados entre maio e setembro de 2025. Em valores absolutos, o aumento foi de US$ 149,79 milhões, praticamente equivalente ao crescimento líquido de US$ 151,79 milhões das exportações estaduais para a União Europeia.
A Itália, que liderava as compras em 2025, passou à segunda posição, com US$ 190,43 milhões, queda de 3,3% em relação aos US$ 197 milhões do ano anterior.
A Alemanha ocupou o terceiro lugar, com US$ 60,66 milhões, crescimento de 113,3%. Espanha e França completaram o grupo dos cinco maiores compradores, com receitas de US$ 49,58 milhões e US$ 29,38 milhões, respectivamente. Na comparação com 2025, as vendas para os espanhóis cresceram 19,1%, enquanto as destinadas aos franceses avançaram 21,1%.
Juntos, os cinco países responderam por US$ 619,06 milhões, ou seja, 87,6% das exportações sul-mato-grossenses para o bloco. Os outros 14 países com registros de compras em 2026 representaram os 12,4% restantes.
Apesar dos avanços registrados entre os principais compradores, outros mercados europeus apresentaram retrações expressivas. A maior ocorreu na Áustria, que recuou de US$ 56,16 milhões em compras para US$ 23,24 milhões, redução de US$ 32,92 milhões (58,6%). Em Portugal, as vendas caíram de US$ 18,91 milhões para US$ 7,28 milhões, retração de US$ 11,64 milhões (61,5%). Já a Bulgária registrou queda de aproximadamente US$ 9,73 milhões (97,6%), passando de US$ 9,97 milhões para apenas US$ 235,3 mil. Essas reduções compensaram parte dos ganhos obtidos em outros mercados do bloco.
O que compram de MS
A composição das exportações revela diferenças importantes entre os cinco principais mercados de destino dos produtos sul-mato-grossenses.
Na Holanda, a celulose liderou as compras em 2026, com US$ 83,43 milhões, seguida pelos bagaços e resíduos da extração do óleo de soja, com US$ 55,59 milhões, e pelo álcool etílico, com US$ 55,23 milhões. Em 2025, os três principais produtos haviam sido celulose, resíduos de soja e carne bovina fresca ou refrigerada.
Na Itália, a celulose manteve ampla predominância, respondendo por US$ 157,67 milhões em 2026, aproximadamente 82,8% de tudo o que o país comprou de Mato Grosso do Sul. Em seguida aparecem a carne bovina congelada, com US$ 15,37 milhões, e os couros bovinos no estado úmido, com US$ 6,04 milhões.
A Alemanha apresentou uma mudança na liderança dos produtos importados. Em 2025, a celulose ocupava a primeira posição, com US$ 15,93 milhões. Em 2026, foi superada pelos bagaços e resíduos da extração do óleo de soja, que alcançaram US$ 23,88 milhões. A celulose ficou em segundo lugar, com US$ 18,65 milhões, seguida pela carne bovina fresca ou refrigerada, com US$ 7,14 milhões.
Na Espanha, a celulose continuou sendo o principal produto, com US$ 16,50 milhões em 2026, contra US$ 11,15 milhões no ano anterior. O óleo de milho bruto apareceu na segunda posição, com US$ 8,62 milhões, seguido pelas farinhas e pellets da extração do óleo de soja, com US$ 5,77 milhões.
Já a França passou a comprar mais bagaços e resíduos da extração do óleo de soja do que celulose. Em 2026, os derivados de soja lideraram as vendas, com US$ 12,26 milhões, seguidos pela celulose, com US$ 10,95 milhões, e pelo açúcar de cana, com US$ 5,53 milhões. Em 2025, a celulose ocupava a primeira posição, com US$ 12,58 milhões.
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