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Falta de lágrimas esconde desolação de filha que perdeu mãe após 1 mês de vigília hospitalar
Meia hora após receber a notícia do falecimento, moradora de Mato Grosso que viajou a Campo Grande para acompanhar a mãe desabafou sobre a dor que não virou choro
| TOP MíDIA NEWS/DIANA CHRISTIE E MéRI OLIVEIRA
O olhar meio perdido e o jeito quieto no saguão da Santa Casa de Campo Grande escondiam o furacão interno que Vera Lúcia dos Santos de Castro tentava processar. Na manhã de sexta-feira (25), fazia apenas meia hora que a mulher de 57 anos havia perdido a mãe. Enquanto a irmã resolvia as burocracias para o velório, ela aguardava sentada, vivendo o luto de uma forma particular, marcada por uma mistura de tristeza profunda e aceitação.
Mulher de fala tímida e modos simples, Vera é natural da Capital, mas construiu a vida longe de Mato Grosso do Sul. Há 28 anos, ela mora em Sapezal, município localizado no norte de Mato Grosso, logo depois de Tangará da Serra. O estilo de vida na roça e a tranquilidade de poder andar nas ruas sem preocupações moldaram a personalidade calma com a qual ela enfrentou as últimas semanas.
A viagem de volta a Campo Grande aconteceu há pouco mais de um mês, motivada pela urgência de ajudar no cuidado com a mãe idosa. A paciente estava internada com um quadro de agravamento cardíaco e problemas pulmonares. Segundo informações da própria filha, o diagnóstico exato se misturava entre possibilidades como pneumonia ou tuberculose, mas a certeza dolorosa era a presença de água nos pulmões.
Ver a mãe idosa em sofrimento preparou Vera para a despedida. Mesmo diante do baque tão recente da morte, ela demonstrou uma resiliência notável. O alívio por saber que a matriarca não sentiria mais dor dividia espaço com um bloqueio emocional momentâneo, muito comum em situações de choque. 'Eu não consigo chorar', confidenciou no saguão do hospital.
No meio da dor, a simplicidade de Vera abriu espaço para o orgulho ao relembrar a própria família. A caçula de seus três filhos, hoje com 27 anos, é a única nascida em solo mato-grossense. A jovem chegou a se formar como técnica agrícola, mas encontrou um novo caminho após um curso de confeitaria, e atualmente ganha a vida vendendo bolos nos mercados de Sapezal.
Sozinha naquela sala de espera, a filha aguardava o momento de dar o último adeus. O choro não vinha, mas a resignação de quem fez o que pôde durante um mês de vigília provava que o amor também se manifesta na força necessária para deixar o outro descansar. Acompanhe a entrevista completa:
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