Brasil/Mundo
Sonda resiste ao calor de Vênus e envia fotos da Estrela da Manhã
Módulo soviético Venera 13 pousou projetado para durar 32 minutos, mas operou por 127 sob temperaturas extremas e pressão 89 vezes maior que a Terra
| ÚLTIMO SEGUNDO / CAIO RESENDECAIO RESENDEJORNALISTA EM FORMAçãO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF), CAIO RESENDE é REDATOR DE REDES SOCIAIS DO PORTAL IG. POSSUI EXPERIêNCIA NA COMUNICAçãO SOCIAL LOCAL E TAMBéM ATUOU COMO ASSESSOR DE IMPRENSA
Os engenheiros soviéticos deram 32 minutos de vida útil à Venera 13, sonda espacial enviada para explorar Vênus no início dos anos 1980. O módulo pousou na 'Estrela da Manhã' em 1º de março de 1982 e transmitiu dados por 127 minutos, quase o quádruplo do previsto, enquanto a temperatura do planeta marcava 465°C, calor capaz de derreter chumbo.
Além disso, a pressão equivalia a 89 vezes a da Terra, tornando improvável que qualquer equipamento eletrônico funcione nessas condições por um longo período de tempo. Para suportar as condições extraterrestres, diversos instrumentos e sistemas foram acomodados dentro de uma estrutura pressurizada de titânio, revestida por camadas de isolamento térmico.
Posteriormente, a sonda ainda passou por um pré-resfriamento completo antes de se desacoplar da nave transportadora. Na atmosfera densa do planeta, no entanto, não havia como dissipar o calor externo, fazendo a durabilidade da carga instaurar uma espécie de 'corrida contra o relógio'. Após a decolagem do foguete, a cápsula se separou do propulsor e entrou na atmosfera de Vênus.
Um escudo térmico absorveu o atrito inicial, enquanto paraquedas freavam a queda e permitiam coletas nas camadas de nuvens. Ao mesmo tempo, a nave principal seguia em sobrevoo a 36 mil quilômetros de altitude, retransmitindo os sinais para as estações terrestres.
O Programa Espacial Soviético tentou registrar Vênus em cores antes, mas falhou na missão. A Venera 9 e a Venera 10 mandaram imagens em preto e branco nos anos 1970, mas nas sondas 11 e 12 as tampas das lentes não abriram. Na Venera 13, contudo, dois telefotômetros escanearam a superfície através de filtros e revelaram fragmentos rochosos e um céu marrom-alaranjado.
Enquanto fotografava, a sonda também perfurou o terreno. Uma broca recolheu o material da rocha superficial e o depositou numa câmara selada, onde a espectrometria de fluorescência de raios X apontou uma composição muito parecida com a do basalto alcalino encontrado na Terra.
Alguns anos depois, as sondas Venera 14 e Vega 2 completaram o levantamento em pontos diferentes do planeta. Vênus, apelidado de 'Estrela da Manhã' por aparecer no céu antes do amanhecer, segue sem receber uma sonda que dure mais que algumas horas na superfície devido às condições extremas.
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