Policial
Defesa fala em “confusão” sobre rifas após Justiça manter irmãos Razuk presos
Advogados dizem que sorteios eram autorizados e vão entrar com habeas corpus
| SILVIA FRIAS E IZABELA CAVALCANTI / CAMPO GRANDE NEWS
Os empresários Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk vão permanecer presos após passarem por audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (20), no Fórum de Campo Grande. As defesas sustentam que os sorteios divulgados pelos irmãos estão dentro da legalidade e alegam que houve uma confusão na interpretação sobre a atuação de Eduardo, que, segundo o advogado, faria a divulgação de sorteios autorizados, e não a exploração direta de loteria irregular.
Os dois foram presos na terça-feira (18), durante a Operação Rodas da Sorte, deflagrada pela Polícia Civil para investigar suspeitas de exploração ilegal de loterias, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Como as prisões ocorreram em cumprimento a mandados preventivos expedidos anteriormente, os argumentos das defesas para revogação das medidas não foram analisados pelo juiz responsável pela audiência desta manhã, segundo os advogados.
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Com a manutenção das prisões, as duas defesas informaram que vão recorrer por meio de habeas corpus.
Na saída do Fórum, o advogado Tiago Bunning, que representa Eduardo, afirmou que teve acesso à investigação no fim do dia de ontem (19) e contestou a principal tese apresentada pela Polícia Civil.
Segundo Bunning, a investigação considera que Eduardo não teria autorização para promover os sorteios. A defesa, no entanto, contesta. “Todos os sorteios são autorizados, são registrados, foram auditados e toda a renda que o Eduardo e a empresa dele obtêm a partir da divulgação é declarada no Imposto de Renda, com os tributos pagos', afirmou Bunning.
Para o advogado, a divergência está justamente na definição do papel desempenhado pelo influenciador. “O delegado se baseia no entendimento de que o Eduardo, em si, não teria autorização para fazer o sorteio. Mas o Eduardo é quem divulga. Há uma confusão sobre se ele promove ou não. É um debate jurídico, de interpretação, e isso não é questão para manter alguém preso', disse.
Bunning também afirmou que os bens atribuídos a Eduardo, inclusive os veículos apreendidos durante a operação, estão registrados em seu nome. Para a defesa, essa circunstância afasta a acusação de ocultação patrimonial utilizada para sustentar a suspeita de lavagem de dinheiro.
O advogado acrescentou que Eduardo é primário, tem bons antecedentes e não havia sido chamado anteriormente para prestar esclarecimentos sobre os sorteios. A defesa questiona a necessidade da prisão preventiva diante de crimes que, segundo Bunning, não envolvem violência ou grave ameaça.
A Polícia Civil sustenta uma versão diferente. Conforme apresentado pelos investigadores após a deflagração da operação, Eduardo realizaria rifas pela internet desde 2019 e teria movimentado mais de R$ 100 milhões em um período de seis meses. Segundo a investigação, os sorteios chegaram a movimentar aproximadamente R$ 1,9 milhão por edição e eram realizados uma ou duas vezes por semana.
Ainda de acordo com a polícia, a partir de 2025 os investigados teriam estruturado operações com empresas de outros estados para dar aparência de legalidade aos sorteios. Os investigadores afirmam que as rifas não possuíam a autorização necessária para funcionar como loteria com finalidade lucrativa.
A defesa contesta essa conclusão. Bunning afirmou que, ao menos desde dezembro de 2025, os sorteios mencionados pela investigação possuem número de registro e documentação vinculada a uma loteria oficial. Ele disse que ainda analisa a alegação policial de que a atividade teria começado em 2019.
Negativa - O advogado João Paulo Calves, responsável pela defesa de Rafael Razuk, também afirmou que não vê fundamentos para a manutenção da prisão preventiva.
Segundo Calves, Rafael auxiliava o irmão nos sorteios, mas não exercia função de gestão na empresa relacionada às operações investigadas.
“A gente entende que não estão presentes os requisitos da prisão, especialmente a periculosidade. Ele não coloca em risco a sociedade e há ausência de elementos centrais da própria existência do crime', declarou.
A defesa sustenta que Rafael não teve participação em eventual exploração de loteria não autorizada e afirma ter questionado a legalidade da prisão após acessar o conteúdo da investigação.
Rafael aparece em registros empresariais como sócio-administrador da Razuk Vault Ltda., aberta em setembro de 2025, em João Pessoa (PB), com capital social de R$ 1,55 milhão. Entre as atividades secundárias cadastradas pela empresa estão exploração de jogos de azar e apostas e promoção de vendas.
A Polícia Civil investiga se empresas e pessoas ligadas aos irmãos foram utilizadas na movimentação e eventual ocultação de recursos provenientes dos sorteios. Além dos Razuk, outras duas pessoas foram presas durante a operação, que também cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em diferentes estados.
Durante as buscas em Campo Grande, policiais apreenderam uma frota de veículos de alto valor, relógios de luxo, celulares e outros equipamentos eletrônicos. O material deverá ser analisado no decorrer da investigação.
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