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Análise: Palmeiras sabe sofrer, vence com cara de Libertadores e vai às quartas pela 14ª vez
Gómez garante vitória por 1 a 0 em jogo truncado, sob chuva e diante de estádio impulsionado por mais de 40 mil pessoas no Paraguai; time bate recorde entre brasileiros no torneio
| GLOBOESPORTE.COM / CAMILA ALVES
– O que disse aos jogadores foi: se não formos melhores que eles naquilo que eles são os melhores, não vamos passar essa eliminatória. Não vamos passar – disse Abel Ferreira ao time do Palmeiras antes de visitar o Cerro Porteño, na quarta-feira, precisando de uma vitória pelo placar mínimo para se classificar na Conmebol Libertadores.
E esse entendimento ficou evidente em Assunção, onde sob chuva e diante de uma torcida paraguaia que fez o estádio Nueva Olla pulsar, o Palmeiras soube aproveitar as poucas chances e venceu, justamente por 1 a 0, para ir às quartas de final da Libertadores de 2026.
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Abel Ferreira retomou a formação de três zagueiros, com Murilo, Gómez e Barboza à disposição, e fez uma mudança no meio de campo, escolhendo Lucas Evangelista para substituir o suspenso Andreas Pereira.
No início o Palmeiras parecia ainda buscar o próprio ritmo, entre o show pirotécnico e o canto da torcida adversária com mais de 40 mil pessoas nas arquibancadas. Evangelista, por mais de uma vez, conversava com os companheiros de time, enquanto o Cerro Porteño pressionava.
As tentativas do Palmeiras, com ligação direta de Gómez em Vitor Roque travada e Flaco desarmado na direita, vinham sem sucesso. A melhor apareceu aos 16 minutos, com Piquerez em um chute cruzado, mas que passou em frente ao gol e saiu pela linha de fundo.
Foi pouco depois da pausa para hidratação, quando o Palmeiras precisou interromper investidas pelo lado direito, que Gustavo Gómez incentivou Murilo a subir as linhas com a saída de bola para pressionar o Cerro. Não demorou a surtir efeito. Aos 40 minutos, a construção terminou em chute de Evangelista, que ganhou o escanteio. Aos 41, Arias cobrou, e Gómez subiu para cabecear: 1 a 0.
No segundo tempo, o Palmeiras começou a conseguir explorar melhor o lado esquerdo do campo, com Vitor Roque carregando a marcação adversária. Aos 12 minutos, ele mesmo arriscou um chute e mandou para fora. Aos 14, Murilo conseguiu um bom cabeceio, e o goleiro defendeu.
Uma nova investida saiu outra vez em cabeceio de Gómez, que mandou a bola muito perto do gol e correu para recompor levando as mãos à cabeça, como se não acreditasse no lance. E logo depois, aos 18, Flaco López chegou pela direita invadindo a área, limpou o primeiro marcador e chutou, mas foi travado pela defesa.
As mudanças na sequência foram uma tentativa de manter o ritmo muito mais físico do que técnico do time. Vitor Roque, por exemplo, à medida que cansou, foi substituído por Mauricio pelo lado esquerdo do campo, em uma alteração decidida em conversa entre Abel e o auxiliar João Martins.
Fuchs no lugar de Murilo, Giay no de Allan, Emiliano Martínez no de Evangelista e Luis Pacheco em Arias só repetiram a lógica: sustentar a imposição física que garantiu a classificação. A torcida do Palmeiras, que encheu a área de visitante no estádio, passou a cantar mais alto e em determinado momento se impôs diante o silêncio da arquibancada adversária.
Os minutos finais ainda ameaçaram o resultado com finalizações de Jonatan Torres aos 42 e Vegetti aos 46, nos acréscimos, mas que pararam nas defesas de Carlos Miguel. O goleiro foi decisivo para a classificação depois das falhas recentes que custaram resultados (contra Atlético-MG e até o próprio Cerro, no confronto de ida).
Assim, em uma vitória à la Libertadores, como classificou o técnico Abel Ferreira, o Palmeiras avançou às quartas de final pela 14ª vez na história, isolando-se como recordista entre os clubes brasileiros.
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