Itaporã
11/08 dia do Advogado: Entrevista com a Advogada Itaporanense Ana Paula Monteiro Ortega Spessoto
| ITAPORAMSNEWS.COM.BR/CLáUDIO CéSAR
O Dia do Advogado é comemorado anualmente em 11 de agosto. Esta data homenageia os profissionais responsáveis em representar os cidadãos perante a justiça.
O Direito é a ciência das normas que regulam as relações entre os indivíduos na sociedade, e quando existe uma situação fora dessas normas, entra o trabalho do advogado, que é o de nortear e representar clientes em qualquer instância, juízo ou tribunal.
No Brasil, para o profissional estar apto a exercer a função de advogado é preciso concluir o curso de ensino superior em Direito e passar no Exame da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil.
Origem do Dia do Advogado
O Dia do Advogado é celebrado em 11 de agosto em homenagem a criação dos dois primeiros cursos de Direito no Brasil: a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo; e a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco. Ambos os cursos foram criados por D. Pedro I, em 1827.
Tradicionalmente, no dia 11 de agosto, os estudantes de direito festejam o chamado “Dia da Pendura”, quando saem pelos restaurantes próximos da universidade, consomem e não pagam, pois a conta fica “pendurada” para que o dono do restaurante pague.
Confira a entrevista coma Advogada Itaporanense Ana Paula Monteiro Ortega Spessoto concedida ao Itaporã News
1. Para começarmos, conte um pouco da sua trajetória: sua formação, onde iniciou sua atuação e quais foram suas primeiras experiências na advocacia.
Minha história com a advocacia começou com uma escolha muito consciente. Sempre enxerguei o Direito como uma ferramenta capaz de transformar realidades, proteger pessoas e contribuir para uma sociedade mais justa.
Sou advogada, inscrita na OAB desde 2012, meu registro inicial foi no Estado de Rondônia onde atuei por 1 ano e posteriormente transferi para o Mato Grosso do Sul. Minha formação jurídica me proporcionou não apenas conhecimento técnico, mas principalmente a compreensão de que, por trás de cada processo, existe uma pessoa, uma família, uma história e, muitas vezes, uma situação de vulnerabilidade que precisa ser acolhida e tratada com responsabilidade.
Quando comecei a exercer a profissão, descobri rapidamente que a advocacia é muito mais dinâmica do que aquilo que aprendemos nos bancos da faculdade. A prática exige estudo permanente, capacidade de ouvir, estratégia, equilíbrio emocional e, acima de tudo, compromisso com o cliente e com a Justiça.
Ao longo desses anos, fui construindo minha experiência profissional de maneira gradual, enfrentando desafios, aprendendo com cada caso e buscando constantemente aperfeiçoamento.
2. Falando um pouco mais sobre sua carreira, quantos anos de atuação você possui e quais áreas do Direito fazem parte da sua rotina?
São mais de dez anos de caminhada desde a minha inscrição na OAB. Nesse período, tive a oportunidade de atuar em diferentes áreas e conhecer realidades muito distintas.
Tenho uma atuação bastante diversificada, mas algumas áreas passaram a ocupar um espaço especialmente importante na minha trajetória, como o Direito Civil, Direito de Família, questões relacionadas à saúde e à responsabilidade civil, além de demandas que envolvem direitos sociais e situações em que a atuação jurídica pode representar uma diferença concreta na vida de uma pessoa.
Também valorizo muito a atuação institucional.
Tenho participação junto à OAB, hoje estou como Delegada das Prerrogativas da 4° subseção Itaporã/Dourados e Presidente da Comissão do Direito Notarial e Registral da 4° subseção Itaporã/Dourados, procuro compreender a advocacia não apenas como uma profissão individual, mas como uma atividade que possui uma função social muito importante.
Além disso, tenho me dedicado a projetos comunitários por meio do CONDEF – Conselho da Comunidade e Defesa Social de Itaporã, onde estou como atual Presidente buscando contribuir para uma comunidade mais humana, segura e justa.
Essa atuação fora do escritório também me ensinou algo muito importante: o advogado não precisa atuar somente dentro de um processo. Ele pode participar da construção de soluções, da prevenção de conflitos, de projetos sociais e do fortalecimento das instituições.
3. O que levou você a escolher a carreira de advogada? Houve alguma influência ou algum motivo especial?
Acredito que algumas escolhas profissionais têm muito a ver com aquilo que somos e com aquilo que acreditamos.
Escolhi o Direito porque sempre tive uma percepção muito forte de justiça. Sempre me incomodou ver situações em que alguém não conseguia fazer valer um direito simplesmente porque não conhecia a lei, não sabia a quem recorrer ou não tinha condições de se defender adequadamente.
E foi justamente isso que me encantou na advocacia: a possibilidade de transformar conhecimento em proteção.
O advogado recebe uma responsabilidade muito grande. Muitas vezes, somos procurados por alguém no momento mais difícil da sua vida: uma separação, uma doença, uma dívida, um problema familiar, uma situação de violência, uma perda ou uma injustiça.
E naquele momento precisamos ser muito mais do que alguém que conhece a lei. Precisamos ser alguém em quem aquela pessoa possa confiar.
4. Quais são os principais desafios enfrentados no exercício da advocacia?
São muitos.
A advocacia exige atualização permanente. As leis mudam, a jurisprudência evolui, os entendimentos dos tribunais são modificados e a tecnologia está transformando profundamente a forma como trabalhamos.
Mas acredito que um dos maiores desafios seja justamente equilibrar o conhecimento técnico com o lado humano da profissão.
O advogado precisa ser firme, estratégico e tecnicamente preparado, mas também precisa saber ouvir.
Existe ainda uma grande responsabilidade emocional. Quando um cliente chega até nós, normalmente ele não está vivendo o melhor momento da sua vida. Ele chega com medo, com dúvidas e, muitas vezes, com expectativas muito grandes.
Precisamos ter a sensibilidade de acolher, mas também a honestidade de explicar que o Direito não é uma ciência de resultados garantidos. O nosso compromisso é trabalhar com técnica, ética, estratégia e dedicação para buscar a melhor solução possível.
Outro desafio é combater a ideia de que o advogado é apenas aquele profissional que "entra com processo". Uma boa advocacia também é preventiva. Muitas vezes, o melhor processo é aquele que conseguimos evitar por meio de uma orientação correta, de um contrato bem elaborado ou de uma negociação bem conduzida.
5. O Direito possui muitas áreas de atuação. Poderia explicar, de forma simples, um pouco sobre elas?
O Direito está presente praticamente em todos os momentos da nossa vida.
No Direito de Família, por exemplo, trabalhamos com divórcios, guarda, alimentos, inventários, partilhas e questões relacionadas à proteção da família. São situações extremamente delicadas porque envolvem sentimentos, filhos, patrimônio e histórias de vida.
No Direito Civil, encontramos uma infinidade de situações: contratos, cobranças, indenizações, obrigações, responsabilidade civil, relações patrimoniais e diversos conflitos do cotidiano.
No Direito do Trabalho, o profissional atua na proteção dos direitos decorrentes das relações de trabalho, tanto na defesa do trabalhador quanto na orientação e defesa das empresas.
No Direito Empresarial, temos a constituição e organização das empresas, contratos, responsabilidade dos sócios, planejamento e diversas questões relacionadas à atividade empresarial.
No Direito Penal, o advogado atua na defesa das garantias individuais e no acompanhamento de pessoas que respondem a investigações ou processos criminais, sempre respeitando o devido processo legal e o direito de defesa.
No Direito Previdenciário, existem questões relacionadas a aposentadorias, benefícios e proteção social.
E temos ainda áreas muito importantes e que vêm crescendo bastante, como o Direito da Saúde, envolvendo medicamentos, tratamentos, cirurgias, planos de saúde e acesso à saúde.
Também temos o Direito Digital, Ambiental, Agrário, Tributário, Administrativo e tantas outras especialidades. Isso demonstra que o Direito não está distante da sociedade. Pelo contrário: ele está presente em praticamente todas as relações humanas.
6. Diante de tudo isso, qual é a importância do advogado dentro da sociedade?
Eu diria que o advogado é um dos profissionais que ajudam a transformar direitos escritos em direitos efetivamente exercidos.
A Constituição garante direitos, as leis estabelecem regras, mas é necessário que as pessoas tenham acesso a esses instrumentos e saibam como utilizá-los.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que teve um tratamento médico negado pelo plano de saúde. O advogado pode atuar para buscar judicialmente o tratamento necessário.
Imagine uma mãe que precisa garantir alimentos para o filho. Ou uma pessoa idosa que precisa ter seus direitos respeitados. Uma família que precisa organizar uma sucessão. Uma pessoa que sofreu um dano e precisa buscar reparação. Uma empresa que precisa de orientação para evitar um problema futuro.
Em todas essas situações, existe espaço para a atuação jurídica.
E existe algo ainda maior: o advogado também é indispensável à democracia.
A advocacia não existe apenas para ganhar processos. Ela existe para garantir que as pessoas tenham voz, defesa e acesso à Justiça.
Por isso, considero a advocacia uma profissão de enorme responsabilidade social.
7. Você também desenvolve uma atuação comunitária. Como isso se relaciona com a sua profissão?
Para mim, existe uma ligação muito forte. A advocacia me ensinou a olhar para as pessoas individualmente, compreender seus problemas e buscar soluções. A atuação comunitária ampliou esse olhar para a coletividade.
Por meio do CONDEF, tenho tido a oportunidade de participar de projetos voltados à melhoria da comunidade, trabalhando em parceria com diferentes instituições.
Recentemente, por exemplo, desenvolvemos iniciativas voltadas à melhoria das condições de atendimento e estrutura da Delegacia de Polícia Civil de Itaporã.
São ações que mostram que, quando instituições e pessoas trabalham juntas, conseguimos produzir resultados concretos.
Eu acredito muito nessa união entre Poder Público, Justiça, Ministério Público, forças de segurança, advocacia, entidades sociais e comunidade.
Uma sociedade melhor não é construída por uma única pessoa ou por uma única instituição. Ela é construída coletivamente.
8. Para quem deseja seguir a carreira da advocacia ou está começando agora, qual conselho você daria?
Eu diria para estudar muito, mas não estudar apenas para passar na prova da OAB. Estudem para compreender verdadeiramente o Direito. Leiam leis, jurisprudência, doutrina, decisões judiciais e, principalmente, aprendam a interpretar.
Mas existe uma segunda coisa que considero fundamental: não percam a humanidade. O conhecimento técnico é indispensável, mas ele sozinho não transforma um bom advogado em um grande advogado.
É preciso saber ouvir. É preciso ter ética. É preciso ter coragem para dizer a verdade ao cliente, inclusive quando a verdade não é aquilo que ele gostaria de ouvir. E não tenham pressa. A advocacia é uma construção diária. Não existe fórmula mágica para construir uma carreira sólida.
No início, talvez você tenha poucos clientes, enfrente dificuldades e tenha inseguranças. Isso faz parte. Continue estudando, seja correto com as pessoas, cumpra aquilo que promete, trate todos com respeito e construa sua reputação.
Porque, na advocacia, o nosso maior patrimônio é a confiança.
9. Para finalizar, que mensagem você gostaria de deixar neste Dia da Advocacia?
O Dia da Advocacia, para mim, é muito mais do que uma data comemorativa. É um momento de refletirmos sobre a responsabilidade que assumimos quando escolhemos essa profissão.
Ser advogada é carregar diariamente a responsabilidade de defender direitos, proteger pessoas e contribuir para que a Justiça seja efetivamente acessível.
Ao longo da minha caminhada, aprendi que nem sempre conseguimos resolver todos os problemas, mas podemos fazer a nossa parte com seriedade, conhecimento, ética e humanidade. Tenho muito orgulho da profissão que escolhi.
E tenho ainda mais orgulho quando percebo que o conhecimento jurídico pode sair das páginas de um processo e se transformar em algo concreto na vida das pessoas.
Quero deixar meu carinho e meu reconhecimento a todos os colegas advogados e advogadas que exercem essa profissão com dignidade. Agradeço também a todas as pessoas que confiaram e continuam confiando no meu trabalho.
E, acima de tudo, agradeço a Deus pela oportunidade de exercer uma profissão que me permite defender direitos, ajudar pessoas e, de alguma maneira, contribuir para uma sociedade mais humana, mais justa e mais consciente.
Feliz Dia da Advocacia a todos nós que acreditamos que o Direito pode, sim, transformar vidas.
itaporamsnews.com.br/Cláudio César
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