Dourados
Mesmo com passarela, populares ainda se arriscam para atravessar MS-156
| DOURADOSNEWS / FABIANE DORTA
A passarela sobre a MS-156 ainda não foi entregue oficialmente pelas autoridades, mas o acesso está livre. Mesmo assim, ainda há quem prefira continuar se arriscando e atravessando a rodovia que tem tráfego intenso de carros e outros veículos pesados, no trecho que liga os bairros Jardim Guaicurus e Dioclécio Artuzi, em Dourados. Os motivos para isso são diversos.
Maria do Rosário Dias de Almeida Mariano, 68 anos, mora no bairro Chácara Cidelis. Catadora de recicláveis, ela precisa atravessar a rodovia, no mínimo, uma vez por semana para levar os produtos até a empresa que faz aquisição.
Uma das promessas da passarela era ser uma via segura para pessoas que utilizam cadeira de rodas, como é o caso da Maria. No entanto, para ela o problema não foi solucionado, especialmente devido ao medo de altura. “Tinha que ter mais segurança”, acredita a moradora.
Maria do Rosário Dias de Almeida Mariano recebeu ajuda de Antônio Marcos Bezerra Silva que passava pelo local. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
Para atravessar debaixo da passarela, Maria recebeu a ajuda de Antônio Marcos Bezerra Silva, de 28 anos, que passava de moto quando viu a dificuldade da idosa. Morador do bairro Harrison de Figueiredo, ele está desempregado e passa pela rodovia com destino ao Jardim Guaicurus com frequencia para se encontrar com amigos.
Conta que se tem pouco movimento prefere passar por debaixo da passarela. “Se pega descida [da passarela] com a bicicleta sem freio, vai direto, não pára não”, relata o morador, se referindo à velocidade que o veículo alcança e o risco que oferece.
A dona de casa Gislaine da Silva Souza, 43 anos, também utiliza bicicleta para passar, mas desce do veículo e vai empurrando a pé pela passarela, para ir até a academia ou à casa do pai na região do Jardim Guaicurus.
“É muito longa, mas é muito boa. Ficou melhor”, acredita, lembrando que vale a pena andar um pouco mais, se arriscando menos no trânsito.
A dona de casa Gislaine da Silva Souza, prefere atravessar pela passarela empurrando a bicicleta. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
Ela conta que nessas travessias há quem já tenha passado por ela com bicicletas convencionais ou elétricas. Disse que não teve transtornos em relação a isso, mas que se preocupa com as crianças e adolescentes, já que muitos utilizam o espaço para ir e voltar das escolas por morar de um lado da rodovia e estudar do outro. Para Gislaine, seria necessário mais sinalização para direcionar as pessoas adequadamente.
A funcionária pública aposentada, Laura Gomes, 66, mora no bairro Canaã 3 onde pega o transporte coletivo pelo menos de duas vezes por semana para visitar a mãe que mora no Jardim Guaicurus. Como o ônibus para do outro lado da MS-156, ela passou a utilizar a passarela para atravessar.
'Para mim foi bom porque eu morria de medo de atravessar aqui [na rodovia]. Só, assim, teve uma parte ali que a coisa [passarela] está mexendo. Ela deu uma ‘afundadinha’ quando eu passei, mas é porque parece que tem gente andando de moto, aí estraga”, afirma a aposentada.
Laura Gomes atravessa a passarela para visitar a mãe no Jardim Guaicurus. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
Ela conta que já viu duas pessoas passando de moto pelo local e que um condutor de veículo elétrico passou ao lado dela pilotando sobre a passarela, situação que a fez se sentir em risco.
Enquanto esteve na região, a equipe do Dourados News flagrou diversas pessoas passando por debaixo da passarela, seja correndo a pé, de moto ou bicicleta. Houve quem deixasse o canteiro para entrar na rodovia pela contramão.
A equipe também flagrou condutores de bicicletas e autopropelidos, conhecidos como ‘motinhas elétricas’, utilizando a passarela sem descer dos veículos.
Ainda é evidente a precariedade de sinalização citada por moradores. Apesar de haver o indicativo de altura de 5,8 metros, na entrada da passarela não há qualquer informação, por exemplo, sobre regras para uso, especialmente por quem está de bicicleta.
No chão, sinalizações como faixas de pedestre e outros estão sem restauração e o canteiro com a calçada danificada.
A passarela foi construída em estrutura metálica com a promessa de garantir agilidade, para que não interrompesse por muito tempo o tráfego. Além das famílias que vão de um bairro a outro, o trecho é utilizado por aqueles que precisam transitar entre a BR-163 o Distrito Industrial.
O investimento na estrutura é de R$ 1,7 milhão e a obra executada através da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul).
Não houve uma entrega formal por autoridades por se tratar de período eleitoral, onde esse tipo de cerimônia é vedado. No entanto, isso não impede que a obra entre em funcionamento, como é o caso da passarela.
A estrutura é uma demanda antiga dos moradores que já viram dezenas de acidentes acontecendo naquele local, devido ao intenso movimento.
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