Brasil/Mundo
Cientistas despejam litros de soda cáustica no mar; entenda
Pesquisadores dos EUA liberaram 62 mil litros de hidróxido de sódio no Golfo do Maine e tingiram a água de rosa para acompanhar o produto
| ÚLTIMO SEGUNDO / CAIO RESENDECAIO RESENDEJORNALISTA EM FORMAçãO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF), CAIO RESENDE é REDATOR DE REDES SOCIAIS DO PORTAL IG. POSSUI EXPERIêNCIA NA COMUNICAçãO SOCIAL LOCAL E TAMBéM ATUOU COMO ASSESSOR DE IMPRENSA
Pesquisadores da Instituição Oceanográfica de Woods Hole despejaram 62 mil litros de hidróxido de sódio diluído no Golfo do Maine, na região nordeste dos Estados Unidos. A soda cáustica foi dispersada de forma controlada por seis horas e deixou uma mancha rosa brilhante para facilitar o rastreamento.
Autorizado pelo governo dos EUA sob gestão de Donald Trump, este foi o primeiro teste de campo do chamado Aumento da Alcalinidade Oceânica, pensado para viabilizar novas maneiras de enfrentamento à acidificação dos mares e ao aquecimento global. Os mares já executam, por essência, grande parte do serviço. A água absorve de 25% a 30% das emissões de carbono geradas pela atividade humana, funcionando como regulador térmico do planeta.
Apesar disso, o efeito colateral aparece na química da água, que fica mais ácida e atrapalha o desenvolvimento de corais e moluscos. A técnica do Aumento da Alcalinidade Oceânica, portanto, mira nos dois problemas ao mesmo tempo.
O esquema químico acontece como um efeito cascata: com a entrada do hidróxido de sódio de alta pureza, o carbono dissolvido vira bicarbonato, substância estável e abundante nos oceanos. A partir disso, a superfície captura mais gás carbônico, fazendo a acidez recuar.
O rosa da soda cáustica veio da rodamina, corante misturado ao produto. Durante cinco dias, satélites, drones e veículos subaquáticos acompanharam o caminho da mancha. Ademais, sensores espalhados pela área mediram pH, temperatura e salinidade.
Os resultados bateram com o que os modelos matemáticos previam a respeito da dissipação da substância. Os dados preliminares, apresentados em 2026, foram positivos e não mostraram dano à fauna.
Além disso, nenhuma alteração foi registrada na saúde de bactérias, plâncton ou larvas expostas ao produto, com o pH da água voltando ao normal no prazo que a equipe esperava.
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