Política
O voto que decide o futuro não pode ser um ato de preguiça
Pesquisar o passado dos candidatos é um dever de quem deseja uma política mais ética e eficiente
| JOSé CâNDIDO / CAMPO GRANDE NEWS
A campanha eleitoral tem um efeito previsível. De repente, candidatos aparecem onde antes nunca estiveram. Caminham por bairros, visitam feiras, entram em hospitais, abraçam crianças, apertam mãos, tiram fotos e prometem soluções para problemas que, muitas vezes, tiveram anos para enfrentar e não enfrentaram. Em poucas semanas, tudo parece simples. Basta elegê-los e, segundo o discurso, a saúde melhora, a segurança aumenta, a educação avança e o desenvolvimento chega.
É justamente nesse momento que o eleitor precisa fazer o caminho inverso: ouvir menos promessas e pesquisar mais.
Nunca foi tão fácil conhecer a trajetória de quem disputa um cargo público. A internet permite consultar processos judiciais, patrimônio declarado, histórico político, presença nas sessões legislativas, projetos apresentados, votações, gastos públicos e notícias produzidas ao longo de décadas. O eleitor já não depende apenas do horário eleitoral ou das redes sociais do candidato. A informação está disponível para quem decide procurá-la.
A democracia não termina quando a urna é fechada. Ela começa antes, quando cada cidadão decide se votará com consciência ou apenas por simpatia, amizade, emoção ou influência das redes sociais.
É preciso fazer perguntas simples. O candidato já exerceu cargo público? O que entregou à população? Administrou bem os recursos que recebeu? Cumpriu as promessas anteriores? Sua vida pública é marcada por realizações ou por investigações, denúncias e escândalos? Construiu patrimônio compatível com sua renda? Vive do trabalho ou transformou a política em profissão permanente?
A política precisa de pessoas qualificadas, honestas e comprometidas. Muitos empresários, profissionais liberais, professores, médicos, engenheiros, agricultores e empreendedores bem-sucedidos contribuem com a sociedade sem depender de um mandato. Também há excelentes agentes públicos que dedicam a vida ao serviço público com ética e competência. Da mesma forma, existem maus gestores e políticos que utilizam o cargo para favorecer interesses particulares. O critério de escolha deve ser a integridade, a capacidade e os resultados, não a profissão de origem.
Por isso, mais importante do que acreditar em discursos é avaliar a trajetória. O eleitor deve observar se há coerência entre o que o candidato diz e o que fez ao longo da vida pública e profissional. Transparência, prestação de contas e respeito ao dinheiro do contribuinte são elementos objetivos que podem e devem ser considerados.
Também merece atenção quem aparece apenas em época de eleição. Há candidatos que desaparecem durante quatro anos e retornam às ruas quando precisam novamente do voto. Outros mantêm presença constante nas comunidades, prestam contas do mandato, participam dos debates e permanecem acessíveis mesmo fora do calendário eleitoral. A diferença entre um e outro costuma ser percebida por quem acompanha a política para além da campanha.
Outro aspecto preocupante é a normalização dos privilégios. Salários elevados, verbas indenizatórias, estrutura de gabinete, assessores e outros benefícios existem para garantir o exercício da função pública, não para justificar desperdício ou afastar o representante da realidade da população. Quem administra recursos públicos deve estar sujeito ao mais alto nível de fiscalização e transparência.
Combater a corrupção não é responsabilidade exclusiva da polícia, do Ministério Público ou da Justiça. A primeira barreira contra maus políticos continua sendo o voto consciente. Quando candidatos envolvidos em escândalos retornam ao poder sucessivamente, a sociedade também precisa refletir sobre a qualidade das escolhas feitas nas urnas.
Eleição não é concurso de popularidade, disputa de marketing nem campeonato de quem faz a melhor propaganda. É a decisão sobre quem administrará bilhões de reais arrecadados em impostos e tomará decisões que afetam a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura, o emprego e a qualidade de vida de milhões de pessoas.
O mandato dura quatro anos. As consequências de uma escolha mal feita podem durar muito mais.
Antes de apertar o botão da urna, vale investir alguns minutos pesquisando quem é, de fato, o candidato. Promessas acabam quando termina a campanha. O histórico, a competência e o caráter permanecem durante todo o mandato. Uma democracia forte depende de instituições sólidas, mas também de eleitores que compreendam que o voto não é um favor ao candidato — é uma responsabilidade com o futuro da cidade, do Estado e do país.
Clique aqui e confira as últimas notícias de Itaporã!
Siga o Itaporã News no Youtube!
Grupo do WhatsApp do Itaporã News Aberto!
WhatsApp. VIP do Itaporã News clicando aqui!"
WhatsApp do Itaporã News, notícias policiais!
"Ao vivo a programação da Alternativa FM de Itaporã."

















