Bastidores: com divisão entre afiliados, Conmebol adia definição sobre proposta da Fifa

Confederação pede esclarecimentos à Fifa. CBF resiste a apoiar iniciativa de Infantino, mas ainda não se posiciona publicamente

| GLOBOESPORTE.COM / RAPHAEL ZARKO


Alejandro Domínguez, da Conmebol, e Samir Xaud, da CBF, não se manifestaram sobre o caso — Foto: Divulgação Conmebol
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Um polêmico projeto do presidente da Fifa, Gianni Infantino, é o principal tema do futebol mundial nesta semana. A proposta de criação da empresa Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade e teria ações vendidas a investidores, sofreu pronta rejeição da Uefa (Europa), da Concacaf (Caribe e Américas do Norte e Central) e da AFC (Ásia). A Uefa deu um passo a mais e prometeu boicotar os torneios da Fifa.

As confederações da África e da Oceania não emitiram opinião a favor ou contra a proposta, mas publicaram notas em que prometem analisar cuidadosamente o projeto, que deve ser votado até 19 de setembro. Três dias após o vazamento da iniciativa de Infantino, a Conmebol publicou nota em que comunica consulta a seus afiliados.

"Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao futebol e nunca se sobrepor à sua essência", diz um trecho.

+ Irlan Simões: Fifa à venda: como a húbris de Infantino colocou sua própria reeleição em xeque

O projeto divide as 10 federações nacionais que integram a Conmebol. A cúpula da entidade sul-americana ainda não marcou data da reunião para debater o caso. Veja a nota completa mais abaixo.

O ge apurou que a CBF resiste a apoiar a investida de Infantino, com tendência de oposição à proposta. Não é a única. Pelo menos outras duas federações sul-americanas se opuseram preliminarmente à proposta da Fifa.

Procurada pela reportagem, a CBF não se manifestou.

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O presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez, tem acompanhado a agenda do presidente Infantino. Recentemente, fez campanha aberta com mensagem nas redes sociais pela ampliação da Copa do Mundo de 2030, sugerindo a participação de 64 seleções.

O próximo Mundial masculino será sediado em Espanha, Portugal e Marrocos. Mas, para comemorar o centenário da primeira edição da Copa, a Fifa decidiu realizar três jogos de abertura na América do Sul: um na Argentina, um no Paraguai e um no Uruguai (sede da Copa de 1930).

Com a proposta de ampliação para 64 seleções, a Conmebol pretende aumentar a quantidade de jogos na América do Sul. A entidade defende que um grupo da primeira fase seja todo disputado na Argentina, um no Paraguai e um no Uruguai. Assim, seriam seis partidas em cada país, em vez de uma.

Esse pleito torna delicada a manifestação pública de Alejandro Domínguez, que vinha sendo um aliado próximo de Infantino.

Em outra disputa, desta vez interna na América do Sul, a Conmebol tomou no ano passado uma medida que incomodou a CBF. Uma das cadeiras da entidade no Conselho da Fifa, principal órgão da entidade internacional, era ocupada por Ednaldo Rodrigues. Quando o dirigente foi destituído da presidência da CBF, a Conmebol decidiu tirar o cargo do Brasil e entregá-lo para Claudio Tapia, presidente da AFA (Associação de Futebol da Argentina).

Nota da Conmebol:

"A CONMEBOL reafirma que sua prioridade será sempre o futebol: seus valores, seu povo e a paixão que o torna o esporte mais popular do mundo.

Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao futebol e nunca se sobrepor à sua essência.

O futebol sempre vem em primeiro lugar.

Desde que a CONMEBOL tomou conhecimento da proposta apresentada pela FIFA referente ao projeto FFE, e em conformidade com seus procedimentos institucionais, iniciou um processo de consulta com suas Associações Membro e convocou uma reunião de seu Conselho com o único propósito de analisar e avaliar a referida proposta com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige.

Para tanto, a CONMEBOL solicitou à FIFA informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e potenciais efeitos do projeto FFE.

A CONMEBOL continuará a agir com prudência, responsabilidade e espírito de colaboração, contribuindo para o fortalecimento do futebol mundial exclusivamente por meio de canais institucionais e dos princípios da boa governança.

A CONMEBOL apela à união em toda a família do futebol e insta a todos a colocarem sempre o futebol acima de qualquer outro interesse."

O que diz a Fifa

A entidade, em nota, afirmou que a FIFA Forward Enterprise seria uma subsidiária totalmente controlada pela própria Fifa. Caso seja aprovada, a nova empresa assumiria as atividades comerciais e operacionais relacionadas à realização dos eventos organizados pela entidade, enquanto o controle permaneceria com a Fifa.

A polêmica diz respeito à venda de ações da nova empresa para investidores privados. Com a venda destas participações, a Fifa espera arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).

Segundo a entidade, os recursos gerados seriam compartilhados entre as 211 associações nacionais, permitindo maiores investimentos no desenvolvimento do futebol em cada país.

A Fifa informou ainda que, pela proposta atual, cada federação receberia US$ 20 milhões em recursos do programa FIFA Forward entre 2027 e 2030, independentemente do posicionamento adotado durante o processo de discussão.

Além disso, a entidade apresentou o chamado programa FIFA Fast Forward, que prevê um aporte extraordinário adicional de US$ 20 milhões por associação. A participação seria voluntária e o financiamento viria de investidores externos, sem transferência de controle da Fifa ou mudanças em sua governança, segundo a entidade.



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