Kaká, Buffon, Henry... além de Endrick, veja como foi relação de Ancelotti com mais jovens estrelas

Técnico do Brasil teve participação na formação de grandes jogadores em clubes como Parma, Milan e Real Madrid. Thierry Henry diz ter saído da Juventus aos 21 anos por "desrespeito"

| GLOBOESPORTE.COM / CAíQUE ANDRADE


Thierry Henry e Ancelotti nos tempos de Juventus — Foto: Tutto Sport
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Carlo Ancelotti deu poucas oportunidades a Endrick até aqui na seleção brasileira. O mesmo aconteceu quando ambos trabalharam juntos no Real Madrid, na temporada 2024/25, e o atacante fez apenas oito jogos como titular. Aos 67 anos, o italiano é um dos maiores técnicos da história do futebol e em sua carreira trabalhou com outras grandes estrelas no início de suas trajetórias.

O ge separou alguns casos emblemáticos, como Thierry Henry, na Juventus, Anthony Gordon, no Everton, e Arda Güler, no Real Madrid, em que Ancelotti aproveitou pouco os jogadores quando jovens. Vini Jr, antes no Real Madrid, Kaká e Pato, no Milan, e Gianluigi Buffon e Hernán Crespo no Parma, foram situações diferentes, em que os atletas foram rapidamente impulsionados pelo treinador.

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Henry saiu da Juventus por "desrespeito"

Um dos grandes atacantes do século XXI, Thierry Henry começou a brilhar imediatamente após trabalhar com Carlo Ancelotti. Antes de se transferir para o Arsenal, onde se tornou ídolo, o francês foi treinado pelo técnico italiano na Juventus. Nesta experiência, foi utilizado pelo lado esquerdo, o que o incomodava, mas serviu de aprendizado.

— No Monaco, eu comecei a jogar com 17 anos no ataque e me colocaram na ponta. Eu não sabia jogar como ponta, ser rápido e ser rápido com a bola são duas coisas completamente diferentes. Na Juventus, Ancelotti chegou, jogando no 3-5-2, e eu era o ala. Passei de camisa 9 para ala. Não conseguia mais fazer o que fazia antes. Joguei a maioria das partidas como ala. Foi aí que aprendi como era difícil ser um jogador profissional de verdade e o que significava jogar para o time.

Na entrevista ao podcast The Overlap, Henry deixou claro o motivo de ter saído da Juventus, onde fez apenas 21 jogos, três gols e uma assistência entre janeiro e julho de 1999. O ex-jogador afirmou ter sido desrespeitado em reunião com o então diretor do clube, Luciano Moggi, e o treinador, Carlo Ancelotti.

Em entrevista realizada em 2006, Ancelotti explicou o caso e admitiu erro:

— O único erro que cometi foi não tê-lo visto imediatamente como um atacante. Penso nisso às vezes, claro. Eu só tive três meses para treinar o Henry. Vi que ele tinha talento, mas estava jogando como um meio-campista aberto. Pessoalmente, eu não o teria deixado ir se dependesse apenas de mim.

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Güler e Gordon também jogaram pouco

Com Carlo Ancelotti, Endrick trabalhou por um ano em Madri. Recém-contratado do Palmeiras, o atacante chegou junto com Kylian Mbappé, o que dificultou sequência como titular. Fez 37 partidas, mas teve apenas 845 minutos em campo, média de 22,8 min por jogo. Outra jovem estrela com poucas oportunidades no Real Madrid de Ancelotti foi Arda Güler.

Astro da Turquia na Copa do Mundo de 2026, o meia teve grave lesão que o afastou das atividades em 2023/24, e mesmo assim teve seis gols em 12 jogos, gerando expectativa. Na temporada seguinte, no entanto, teve média de apenas 27 minutos em campo nos 49 jogos que fez com Ancelotti. Sob o comando de Xabi Alonso e Arbeloa, em 2025/26, o turco passou a jogar em média 64 minutos por partida.

— Mesmo quando eu não estava jogando, ele sempre se comunicava comigo. Ele me disse para ser paciente e continuar trabalhando, que minha hora chegaria. Essas palavras realmente me deram confiança — disse Güler, que tinha entre 19 e 20 anos quando foi treinado por Ancelotti.

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Hoje reforço do Barcelona, por R$ 467,3 milhões, depois de se destacar no Newcastle, Anthony Gordon é outro atacante que trabalhou com Ancelotti no início da carreira, no Everton. Quando tinha 19 anos, o ponta inglês teve suas primeiras oportunidades com o treinador italiano, que fazia elogios, mas pedia paciência com o desenvolvimento do atleta em 2020.

— Anthony Gordon está trabalhando conosco. Vejo muita qualidade nele. Ele precisa melhorar e precisamos ser pacientes, mas ele tem qualidade para estar no mais alto nível. Ele precisa adquirir mais conhecimento e experiência, mas sua qualidade é muito boa — dizia Ancelotti, quando treinou o time inglês.

Entre 2019 e 2020, Gordon fez apenas 19 jogos sob o comando de Ancelotti. Na época, o jogador chegou a cobrar o treinador por uma vaga na equipe: "Eu não fui lá e arrombei a porta dele, fui e perguntei educadamente: 'O que posso fazer para melhorar e entrar no time?'. Eu sempre quero melhorar e evoluir como jogador."

"Ele queria uma explicação, então eu expliquei que o elenco é muito competitivo e que às vezes pode acontecer de alguns jogadores não estarem envolvidos", disse Ancelotti, sobre conversa com Gordon.

Em janeiro de 2021, Gordon foi emprestado ao Preston North End, da segunda divisão, e só em 2021/22 virou titular do Everton, já com outros treinadores (Rafa Benítez e Frank Lampard). Em janeiro de 2023, se tornou a quinta maior venda da história do clube, indo para o Newcastle por 45,6 milhões de euros (R$ 235 milhões, na época).

Os casos de Henry, Güler e Gordon, que jogaram pouco com Carlo Ancelotti, não significam que o trabalho com o italiano tenha sido negativo para eles. O treinador costuma dizer que jovens precisam de paciência. Mas houve casos em que Ancelotti optou por lançar jogadores de pouca idade sem que isso fosse um impeditivo.

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Grandes jovens estrelas foram não só desenvolvidas, mas também chegaram a brilhar já sob o comando de Carlo Ancelotti. Contratado pelo Milan em meados de 2003, com 21 anos, Kaká chegou ao time comandado pelo técnico italiano já com status de titular. E não era por falta de concorrência. A equipe tinha nomes como Seedorf e Rui Costa.

— Ancelotti foi meu treinador por seis anos no Milan. Ele realmente tem essa habilidade de liderar, gerir e conviveu com vários brasileiros. Acho que eu respeitava os horários, a hora de dormir, de me alimentar. Brasileiros talvez gostassem um pouco mais de festa e eu sempre fui muito regrado e disciplinado. Foi o grande treinador da minha carreira, porque foi quem me fez performar da melhor maneira possível — disse o ex-meia brasileiro em entrevista ao portal NeoFeed.

Vinicius Jr foi outro brasileiro a atingir o ápice com Carlo Ancelotti. Depois de três anos oscilando no clube, o atacante passou a ser titular e ter protagonismo na temporada 2021/22, aos 21 anos, com a chegada do italiano. Antes, com Zidane, o ex-Flamengo não tinha sequência como titular e chegou a ser utilizado na ala-direita.



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