O que a Coca, figurinhas da Copa e a Lei de Gérson têm em comum?

Arrancar rótulos de garrafa para pegar figurinha de graça parece bobagem. Mas o mecanismo por trás disso explica muita coisa sobre corrupção

| ÚLTIMO SEGUNDO / OSCAR FILHOOSCAR FILHOCOLUNISTA DO IG, OSCAR FILHO é APRESENTADOR, ATOR, REPóRTER, HUMORISTA, ESCRITOR, COLUNISTA E EMPRESáRIO. UM DOS PIONEIROS DO STAND-UP NO BRASIL, MANTEVE O SOLO €�PUTZ GRILL€�€� POR 11 ANOS EM CARTAZ. FICOU NACIONALMENT


- Crédito: Gerada por I.A.Coca-Cola, figurinhas e Lei de Gérson
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Já que a Copa começou, você provavelmente já ouviu falar do Gérson, meio-campista da Seleção Brasileira de 1970.

Talvez não pelo futebol, mas pela Lei de Gérson, frase que nasceu de um comercial que ele fez. 

A Lei de Gérson é um princípio informal que descreve a tendência cultural de buscar levar vantagem em qualquer situação, muitas vezes sem considerar a ética, a coletividade ou até mesmo as leis.

O slogan do comercial era:

Pois ela acaba de ganhar uma atualização: versão em álbum da copa.

A Coca-Cola colocou figurinhas nos rótulos das garrafas. E teve gente com a capacidade de  arrancar os rótulos dentro dos supermercados para pegar as figurinhas sem comprar o refrigerante.

O resultado? As garrafas perderam o valor e tiveram que ser recolhidas.

Prejuízo tanto pro supermercado quanto pra Coca-Cola. E isso pra, talvez, ganhar uma figurinha de um, sei lá... reserva da Bósnia.

Mas ele tinha um propósito: roubar dos ricos para dar aos pobres. Você aceita o crime porque beneficia outras pessoas.

Mas neste caso não. Ninguém está ajudando ninguém nem combatendo uma injustiça.

Não é nem uma mãe roubando uma lata de leite em pó pro filho. É só alguém causando prejuízo para conseguir um pedaço de papel de graça. Uma vantagem absolutamente ridícula.

Nós somos uma sociedade que adora reclamar da corrupção dos políticos. Que o país não tem jeito. Que a classe política é podre. Tem vontade de queimar tudo e resetar pra começar de novo.

Mas repare: a lógica nesse caso é exatamente a mesma. Você pode até pensar:

'Nossa, Oscar, você tá comparando ladrão de figurinha com político corrupto?'

Não. O mecanismo psicológico é parecido, não a escala. Nós temos a máxima ä ocasião faz o ladrão'. Quando aparece uma chance de levar vantagem sem ser pego, muita gente faz exatamente a mesma escolha.

Você pode até relativizar:

'Ai, Oscar, é só uma figurinha, que drama!'

Mas esse é exatamente o ponto. Se uma pessoa é capaz de se corromper por uma figurinha, imagina o preço dela.



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