Em cenário de alto risco, produtor rural precisa deixar o 'acaso' e fazer diagnóstico das lavouras

| DOURADOSNEWS / FABIANE DORTA


Pesquisador Douglas Gitti apresentou resultados da safra em evento da Fundação MS na Expoagro - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News
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Cotações

O produtor rural que está em cultivo de sequeiro, ou seja, utilizando somente a água da chuva para que as lavouras sejam irrigadas, está muito refém do clima em um Estado que nos últimos anos vem apresentando um volume interessante, mas uma distribuição irregular de chuvas. O cenário enfrentado por agricultores de Dourados e outras diversas regiões de Mato Grosso do Sul, impactou de forma significativa a produtividade da safra 2025/2026 de soja.

A análise é do pesquisador de manejo e fertilidade do solo da Fundação MS, Douglas Gitti, que considera o cenário de alto risco para o produtor. O doutor em sistemas de produção, ministrou palestra no evento em que a instituição apresentou resultados de análise da safra de grãos, na primeira rodada de debates da 60ª Expoagro, realizada a partir desta sexta-feira, dia 08, no Parque de Exposições João Humberto de Carvalho.

“Esse ano a gente foi muito impactado no sentido de redução de produtividade e de produção em função de distribuição de chuva. Maracaju nós tivemos esse problema, Dourados de uma maneira bem intensificada, e isso provavelmente impacta, no final das contas, o volume de soja que o nosso produtor tem para comercializar”, contextualiza o pesquisador.

MANEJO DO SOLO

Ele pontua que nessas condições, é necessário investir em manejo para conseguir criar um ambiente para aprofundar o sistema radicular da planta – que absorve água, nutrientes e faz armazenamento, melhorando a umidade do solo em superfície. “A gente tem que trabalhar as condições química, física e biológica do solo, isso envolve o manejo como um todo”, acrescentou.

Nesse contexto, ele pontua que o caminho é criar um ambiente de redução de risco, além de implantar um sistema de irrigação. O pesquisador pontua que apesar dos investimentos gerarem custo ao produtor, existem práticas já adotadas que permitem diluir isso ao longo dos anos.

Essas medidas incluem a melhoria do solo atrelada ao uso de corretivo, como calcário, neutralizando elementos que atrapalham o crescimento do sistema radicular; posicionamento de braquiária em consórcio com milho, e também em cultivo solteiro, para que haja uma melhoria física no sentido de aumentar a ‘aeração’ (fornecimento de oxigênio às raízes) e a infiltração de água.

Pesquisador Douglas Gitti, em entrevista ao Dourados News durante a Expoagro. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.

SAINDO DO ACASO

A recomendação é que o agricultor faça uma análise do solo e de seu sistema, para identificar os principais gargalos no sentido químico, se tem problema de acidez no perfil, compactação, entre outros. “Tem que lançar mão de um bom diagnóstico para entender o que que realmente ele precisa corrigir para que ele não saia por aí utilizando técnicas que vão encarecer muito o custo e, muitas das vezes, não é aquele o problema que ele tem”, pontua.

O pesquisador ainda alerta que os cuidados devem ir além do solo, avaliando também o material de soja, nutrição e proteção do cultivo. “O solo é a nossa base. Mas junto, a gente precisa lançar mão de variedades de soja adaptadas a esse ambiente. Então a cada dois, três anos, nosso produtor tem que ver se o material dele precisa mudar, porque novas tecnologias chegam para nós. A parte nutricional do cultivo, fazer o diagnóstico da análise de folha para ver se a soja dele tem uma deficiência ou não, ou se tem excesso de algum nutriente. A parte de proteção de cultivos, quais são as doenças que ele tem naquele ambiente, quais são as pragas que predominam naquele ambiente para ter um manejo como um todo”, explica. 

Segundo Gitti, nesse momento é fundamental que o agricultor tenha acesso à informação técnica de credibilidade, especialmente as levantadas por pesquisa regional. “São caminhos que ajudam o nosso produtor a reduzir esse risco e não ficar aí ao acaso de escolher um cultivar de soja, porque alguém falou que aquele material é bom. Não é por aí. Hoje, o nosso produtor entendeu a importância de buscar um resultado de qualidade, de uma instituição que tem credibilidade de pesquisa. Então, esse é o caminho que vai ajudar o nosso produtor a sair um pouquinho desse acaso e entrar num caminho aí de redução de risco pautado em informação de pesquisa”, finaliza.

EVENTO

Gitti ministrou palestra na Expoagro sobre sistema soja e milho safrinha, a acidez do solo e disponibilidade de cálcio e magnésio, além da influência do nitrogênio, fósforo e potássio; e com relação à soja, sobre espécies de Bradyrhizobium: teor foliar de nitrogênio e produtividade de grãos, e a respeito de diagnose rápida da composição nutricional e a resposta da aplicação foliar de nutrientes.

Na sequência, a doutora em fitopatologia, Ana Ruschel tratou sobre a eficácia de fungicidas no controle de doenças foliares da soja; e o doutor em agronomia Gean Leonardo Richter trouxe resultados da rede de validação de cultivares de soja na safra 2025/2026.

A rodada de palestras encerrou com a doutora em agronomia – proteção de plantas com ênfase em nematologia agrícola, Andressa Brida a respeito de estratégias integradas no manejo de nematoides na soja sob alta e média pressão.

MAIS PROGRAMAÇÃO

Ainda neste primeiro dia de Expoagro, a programação inclui provas de Team Roping na Arena Secundária e de Três Tambores na Arena que leva o nome da modalidade.

Às 18h30, as provas de laço continuam com as cronometradas Team Roping, Breakaway e Três Tambores, na Arena Principal, mesmo local onde acontece em seguida o Rodeio em Touros e Cavalos.

Essas competições fazem parte da 41ª Festa do Peão de Boiadeiro, que começou na quinta-feira, dia 07. A partir desta sexta-feira, começam as modalidades que tem classificatória para competições nacionais de rodeio. A cidade que é considerada um dos berços do esporte no país, atrai competidores de diversas regiões em busca de boas posições nos rankings da modalidade.

Para os visitantes, a Expoagro ainda terá parque de diversões e praça de alimentação em todos os dias de feira, além de estandes com maquinários e implementos agrícolas com ofertas de crédito e financiamento.  

A Expoagro é uma das principais feiras de agronegócio no Brasil


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