Por Kaily Yada - Entre Fórmulas e Afetos

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Kaily Yada
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Cotações

 

No silêncio das salas onde o tempo parecia correr depressa,
havia uma presença que desacelerava o mundo,
como quem entende que nem toda pressa ensina,
e nem todo cálculo resolve o que o coração carrega.

Professora Jozy, guardiã dos mistérios da física,
a senhora ensinava mais que leis e teorias,
ensinava a enxergar além dos números,
a encontrar sentido onde antes havia dúvida.

Entre fórmulas e gráficos, havia cuidado,
entre equações, havia humanidade,
e em cada explicação paciente,
um gesto silencioso de quem acredita.

Eu não era apenas mais um nome na chamada,
eu era vista, percebida, acolhida,
mesmo quando o mundo pesava demais
e o corpo insistia em fraquejar.

Quando a doença me afastava dos dias comuns,
a senhora encurtava distâncias com presença,
ia até mim como quem leva luz
a um quarto onde a esperança piscava fraca.

Não eram apenas visitas,
eram lembretes vivos de que eu importava,
de que eu podia continuar,
de que havia força mesmo no cansaço.

E como uma força invisível,
daquelas que a física descreve mas não toca,
a senhora me sustentou sem que eu percebesse
o quanto estava sendo erguida.

Se hoje acredito mais em mim,
há pedaços disso que nascem da senhora,
do seu olhar firme e gentil
que nunca duvidou do que eu poderia ser.

A senhora não ensinava só conteúdos,
ensinava coragem em forma de exemplo,
mostrava que ensinar é também cuidar,
e que educar é, acima de tudo, amar.

Foram suas atitudes, tão simples e tão imensas,
que plantaram em mim um sonho quieto,
que cresceu aos poucos, sem alarde,
até se tornar o que hoje eu sou.

Hoje caminho pelos mesmos corredores da educação,
não mais como aluna, mas como professora,
carregando comigo ecos da sua voz,
e fragmentos da sua essência.

E em cada aluno que encontro,
há um desejo sincero e constante:
ser, ao menos um pouco,
o que a senhora foi para mim.

Quero olhar com atenção,
escutar além das palavras,
perceber as dores escondidas
que nem sempre aparecem nos cadernos.

Quero ser abrigo em dias difíceis,
incentivo quando faltar coragem,
presença quando o mundo parecer ausente,
e esperança quando tudo parecer perdido.

Assim como a senhora foi,
quero ser ponte, não barreira,
luz, não sombra,
força, não peso.

Porque ensinar não é só transmitir saber,
é transformar vidas em silêncio,
é tocar histórias sem fazer barulho,
é deixar marcas que o tempo não apaga.

E a senhora deixou em mim uma marca eterna,
daquelas que não se explicam em palavras,
mas que se sentem em cada escolha,
em cada passo, em cada sonho.

Se hoje estou aqui,
é porque um dia alguém acreditou em mim,
e esse alguém tem nome, rosto e história:
Professora Jozy.

Obrigada por cada gesto,
por cada cuidado invisível,
por cada palavra que construiu em mim
uma versão mais forte de quem eu poderia ser.

A física me ensinou sobre forças,
mas foi a senhora que me ensinou
o verdadeiro significado delas. 



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