Inadimplência no Brasil supera 74 milhões e pressiona comércio varejista

Número de consumidores negativados bate recorde em março e acende alerta para queda no consumo e aumento das dificuldades no varejo

| JOTA FM / REDAçãO JOTA FM


Número de consumidores negativados bate recorde em marçoFoto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Cotações

O Brasil registrou em março o maior número de inadimplentes da série histórica, com 74,31 milhões de pessoas com contas em atraso. O total representa 44,42% da população adulta e amplia a preocupação do setor varejista com a redução do consumo e o enfraquecimento da economia.

Os dados foram levantados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil. Em novembro do ano passado, o país já tinha 72,96 milhões de negativados, número que subiu para 73,7 milhões em fevereiro deste ano e voltou a crescer no último levantamento.

Para a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul, o avanço contínuo da inadimplência reflete a dificuldade das famílias em manter o orçamento diante do alto custo de vida e do encarecimento do crédito.

Cada consumidor inadimplente devia, em média, R$ 5.044,65 em março. O levantamento também mostra que, em média, cada pessoa possuía pendências com 2,31 empresas credoras.

As contas de água e energia elétrica lideraram o crescimento das dívidas, com alta de 27,28% no número de débitos. Na sequência aparecem os compromissos com instituições bancárias, que registraram aumento de 17,26%.

O presidente da CNDL, José César da Costa, afirmou que o recorde de inadimplência funciona como “um freio no motor da economia nacional”. Segundo ele, quando parte significativa da população perde acesso ao crédito, o consumo diminui e afeta diretamente o comércio e o setor de serviços.

A entidade também aponta a falta de educação financeira como um dos fatores que contribuem para a repetição do endividamento. O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, defende maior orientação sobre o uso do crédito e o impacto dos juros no orçamento familiar.

Para o varejo, o cenário exige cautela. A avaliação é de que a recuperação econômica depende de medidas que reduzam os juros, ampliem a renda e devolvam capacidade de compra aos consumidores.



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