Região
‘Luz que se apagou’, desabafa filha de sexta vítima de feminicídio
A mulher afirmou que a mãe reclamava constantemente de Edson e dizia que ele era o pior homem que já passou pela vida dela
| ITAPORAMSNEWS.COM.BR
No Dia Internacional da Mulher, Leisiane Cruz Vieira fez uma publicação emocionada sobre a mãe, Leise Aparecida Cruz, assassinada pelo companheiro na última sexta-feira (6), no município de Anastácio, a 145 km de Campo Grande. Leise foi a 6ª assassinada em 2026 no Estado.
No relato, Leisiane narra que Leise era uma mulher alegre, cheia de luz, mas a luz foi se apagando a cada dia que ela passava com o suspeito, Edson Campos Delgado. A mulher afirmou que a mãe reclamava constantemente do companheiro e dizia que ele era o pior homem que já passou pela vida dela.
Em registros de tela anexados à publicação, Leise reclama diversas vezes de Edson, pontuando que ele era ruim, mesmo frequentando a Igreja assiduamente. Leise, no entanto, não terminava o relacionamento por conta do filho dele, uma criança de três anos.
“Eu escutava diariamente o sofrimento dela. Minha mãe me relatava muitas vezes como vivia um relacionamento abusivo. Dizia que ele era uma pessoa ruim, que era o pior homem que já tinha passado pela vida dela. Muitas vezes ela dizia que permanecia naquela relação apenas por causa do meu irmãozinho de 3 anos, filho dele”, relembrou Leisiane.
Todos os dias, Leise mandava mensagens desejando um bom dia à filha. No dia 6, não foi diferente. Contudo, naquele dia, Leise já estava morta. Isso porque Edson conversou com a enteada para esconder o crime, tentando ganhar tempo.
A notícia da morte só chegou horas mais tarde, quando Edson entrou em contato com Leisiane informando que a mãe dela estava passando mal e seria levada ao hospital pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Às 1h58, Edson ligou para o marido de Leisiane informando sobre o falecimento de Leise. Segundo o suspeito, a mulher teria infartado.
“Mas a verdade que descobrimos depois destruiu ainda mais o nosso coração. Minha mãe já estava morta desde aproximadamente 7h da manhã do dia 6. Durante todo aquele dia, enquanto acreditávamos que ela estava bem, ela já não estava mais entre nós”, lamentou.
Por fim, Leisiane clamou por justiça por Leise e por todas as vítimas de feminicídio.
“Minha mãe merece justiça. Minha mãe merece que sua história seja ouvida. Minha mãe merece que sua voz não seja silenciada. Por ela. Por todas as mulheres. E para que nenhuma outra família precise sentir a dor que estamos sentindo agora”, finalizou.
O caso
Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta na última sexta-feira (6), dentro da própria residência, em Anastácio. Inicialmente, o caso foi tratado como morte suspeita, mas passou a ser investigado como feminicídio depois que o marido da vítima confessou, no dia seguinte ao crime.
As circunstâncias exatas de como o crime ocorreu ainda não foram detalhadas oficialmente, mas informações iniciais são de que ela teria sido asfixiada.
A Polícia Civil segue investigando o caso, que agora é tratado como feminicídio, e aguarda também os resultados das perícias realizadas no local e no corpo da vítima para esclarecer a dinâmica do crime.
Por Midiamax/Sabrina Ventresqui
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