'Vai matar a agricultura': produtores europeus protestam após aval da UE para acordo com Mercosul

Agricultores da França, Polônia e Bélgica bloquearam estradas e marcharam em capitais. Bloco deu aval ao acordo de livre comércio com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

| G1 / REDAçãO G1


Agricultores franceses bloqueiam estrada em Bordeaux em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul — Foto: Christophe ARCHAMBAULT / AFP
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Agricultores de França, Polônia e Bélgica protestaram nesta sexta-feira (9) contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Os três países votaram contra o tratado, segundo a agência Reuters, mas não conseguiram barrar a aprovação pela maioria do bloco europeu.

Em Paris, tratores bloquearam entradas da cidade; na Polônia, cerca de mil manifestantes marcharam pelo centro de Varsóvia.

Produtores temem prejuízos à agricultura local, queda na qualidade dos alimentos e diferenças nos padrões de uso de agrotóxicos.

Protestos já vinham ocorrendo há semanas, com bloqueios, incêndios e até confronto com a polícia em cidades da França, Bélgica e Polônia.

Agricultores da França, Polônia e Bélgica realizam protestos nesta sexta-feira (9) após a União Europeia aprovar o acordo comercial com o Mercosul.

Os três países votaram contra o acordo nesta sexta, afirma a Reuters, mas não conseguiram impedir a maioria necessária para aprová-lo. A aprovação ainda não foi formalizada, mas o sinal verde do bloco abriu caminho para a assinatura do tratado. Veja os próximos passos.

Em Paris, vários tratores se posicionaram na entrada da cidade. Os protestos também ocorreram em cidades como Bordeaux e Le Mans, segundo a agência AFP.

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Na Polônia, cerca de mil agricultores iniciaram uma marcha pelo centro de Varsóvia pouco depois da aprovação do acordo.

"Isso vai matar a agricultura na Polônia", disse Janusz Sampolski à AFP. "Vamos depender das cadeias de abastecimento de outros países", afirmou.

Os manifestantes se reuniram em frente ao Palácio da Cultura, na capital polonesa, antes de marchar em direção ao Parlamento, com ruas bloqueadas e a polícia escoltando os protestos nas proximidades de prédios do governo, segundo a Reuters.

No protesto, os produtores também disseram temer queda na qualidade dos alimentos e danos à agricultura local.

“Eles vão nos envenenar. A mim, a você, aos meus filhos, aos meus netos', afirmou à Reuters Marek, agricultor de 65 anos, dizendo que há diferenças nos padrões de uso de agrotóxicos entre a Polônia e os países do Mercosul.

Segundo a agência Reuters, produtores da Bélgica também realizaram protestos em estradas do país.

A manifestação incluiu fogueiras e a colocação de barris na estrada, causando grande impacto no tráfego. Os participantes também despejaram pneus velhos na pista e usaram tonéis com fogo como parte do bloqueio.

Houve protestos também na Itália, que foi decisiva para que o acordo fosse finalmente aprovado. Contrária ao pacto até dezembro, o país passou a apoiar o tratado depois que a UE aprovou novos benefícios aos agricultores europeus.

Em Milão, os manifestantes levaram tratores às ruas e chegaram a despejar leite no chão para mostrar sua desaprovação ao acordo.

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Semanas de protestos

Os protestos desta sexta dão continuidade a uma série de manifestações dos produtores nas últimas semanas. Na quinta (8), ruas de Paris foram bloqueadas em um ato contra o acordo.

Em 19 de dezembro, dezenas de agricultores franceses despejaram esterco e outros resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron durante um ato que incluiu a oposição ao pacto.

Um dia antes, produtores europeus protestaram em larga escala em Bruxelas, na Bélgica, queimando uma pilha de pneus. Alguns entraram em confronto com a polícia.

Oposição antiga ao acordo

Os agricultores europeus são historicamente contrários ao tratado porque temem o impacto da chegada, em larga escala, de alimentos como carne, arroz, mel e soja da América do Sul.

Segundo eles, os produtos do Mercosul seguem regras de produção menos rígidas e, consequentemente, são mais competitivos.

A França, maior produtora de carne bovina da União Europeia, segue como a principal voz contrária ao acordo.

Antes da aprovação, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o tratado é “de outra época', negociado com base em um mandato de 1999 e com ganhos econômicos limitados.



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