Região
Brinquedoteca em Três Lagoas é alvo de críticas após relatos envolvendo crianças com deficiência
Relatos de familiares nas redes sociais levantam debate sobre critérios de acesso e inclusão em espaço recreativo privado
| TOP MíDIA NEWS/FELIPE ARGUELHO
Relatos publicados nas redes sociais por familiares de crianças com deficiência geraram repercussão nos últimos dias e levantaram questionamentos sobre os critérios de acesso adotados por uma brinquedoteca privada em Três Lagoas.
A situação veio à tona após uma mãe relatar, em comentário feito no perfil do espaço em uma rede social, que teria sido impedida de levar o filho, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA) e não verbal, para brincar no local. Segundo ela, a restrição teria ocorrido mesmo com a presença de um acompanhante responsável.
No relato, a mãe afirma que aguardava há anos a oportunidade de levar o filho ao espaço recreativo, mas que foi informada de que a criança não poderia permanecer no local em razão de suas necessidades específicas. Após a publicação, outros usuários passaram a comentar a postagem, afirmando que teriam vivenciado ou presenciado situações semelhantes.
Em resposta pública nos comentários, a administração da brinquedoteca informou que adota critérios internos de funcionamento e segurança. Segundo o posicionamento divulgado, a equipe teria formação voltada para um atendimento considerado generalista, o que, de acordo com o estabelecimento, dificultaria o acolhimento de crianças que demandam acompanhamento individualizado constante.
A manifestação gerou novos questionamentos de usuários, que passaram a discutir a inclusão de crianças com deficiência em espaços de lazer privados. Em alguns comentários, internautas mencionam que, na avaliação deles, a restrição poderia entrar em conflito com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que trata do direito à participação em atividades de lazer e convivência social.
Além do caso envolvendo uma criança com TEA, uma usuária relatou que uma criança com diabetes tipo 1 também teria tido a entrada questionada. O comentário ampliou o debate entre pais que acompanham a discussão nas redes sociais.
Uma mãe de criança autista disse, em publicação, que entrou em contato com a administração do espaço para questionar a possibilidade de acesso mediante acompanhamento de responsável legal. Segundo ela, após o questionamento, teria sido bloqueada pelo perfil da brinquedoteca.
O estabelecimento publicou uma nota oficial afirmando que atua há mais de uma década no município e que não adota práticas discriminatórias. No comunicado, a direção sustenta que as decisões são baseadas em protocolos internos de segurança e operação, válidos para todos os frequentadores, e esclarece que a supervisão das crianças é realizada exclusivamente por funcionários da própria equipe.
A nota também destaca que possíveis interpretações equivocadas das regras podem ter ocorrido e reforça o compromisso do espaço com a ética, a transparência e o bem-estar das crianças, ficando à disposição para esclarecimentos.
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