Brasil/Mundo
Senado dos EUA aprova fim de tarifas ao Brasil
Foram 52 votos a favor e 48 contrários à derrubada de declaração de emergência que fundamentava taxas; 5 republicanos votaram com os democratas
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O Senado dos Estados Unidos votou na 3ª feira (28.out.2025) para encerrar as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas pelo presidente Donald Trump (Partido Republicano). Foram 52 votos a favor de uma resolução para revogar as taxas e 48 votos contrários. Ao todo, 5 senadores republicanos uniram-se aos democratas para derrubar a declaração de emergência que fundamentava as tarifas.
A decisão segue-se a uma reunião de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na Malásia, paralelamente à 47ª Cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático). Apesar do clima amistoso da reunião, o tarifaço foi mantido.
Uma reunião era aguardada desde o breve encontro que tiveram nos bastidores da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro. Em agosto, entraram em vigor as tarifas anunciadas em julho por Trump de 50% sobre importações brasileiras.
Segundo reportagem do jornal The New York Times, a votação relativa ao Brasil foi a 1ª de 3 programadas pelos democratas para esta semana acerca das tarifas. As próximas tratarão do Canadá e de uma taxa global aplicada a mais de 100 parceiros comerciais.
Apesar do avanço no Senado, a medida enfrentará dificuldades na Câmara dos Representantes, onde os republicanos criaram procedimentos para obstruir propostas semelhantes.
Entre os republicanos que votaram com os democratas estão Rand Paul (Kentucky), Susan Collins (Maine), Lisa Murkowski (Alasca), Mitch McConnell (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte).
O senador Tim Kaine (Partido Democrata-Virgínia), principal patrocinador das medidas, questionou, segundo o New York Times: “Vamos simplesmente permitir que o poder comercial que é entregue ao Congresso, ou o poder de guerra que é entregue ao Congresso, ou o poder de apropriações que é entregue ao Congresso, ou o poder de conselho e consentimento de nomeações que é entregue ao Senado –vamos simplesmente permitir que esses poderes sejam assumidos por este presidente ou qualquer presidente?'
O senador Rand Paul (Partido Republicano-Kentucky) argumentou que “emergências são para a guerra, a fome, um tornado. Não gostar das tarifas de alguém não é uma emergência. É um abuso do poder de emergência, e é o Congresso abdicando de seu papel tradicional em relação aos impostos'.
Quando questionado sobre por que mais colegas republicanos não estavam dispostos a apoiar a medida, o senador Paul respondeu: “Medo'.
McConnell, ex-líder republicano, afirmou em comunicado: “Tarifas tornam tanto a construção quanto a compra nos EUA mais caras. Os danos econômicos das guerras comerciais não são a exceção na história, mas a regra'. Ele indicou que pretende apoiar resoluções adicionais para limitar as tarifas de Trump nas próximas votações.
Alguns republicanos que se opuseram à resolução, como o senador Mike Rounds (Dakota do Sul), classificaram o esforço para limitar as tarifas como “mais um projeto político do que uma abordagem substantiva'.
O senador John Hoeven (Dakota do Norte) justificou seu voto contrário às resoluções tarifárias desta semana por apoiar a tentativa do presidente de “nivelar o campo de jogo para nossos exportadores'. Segundo ele, “no curto prazo, é claro, há solavancos e é difícil, mas a ideia é, em última análise, obter melhores termos comerciais'.
O senador Kevin Cramer (Dakota do Norte) sugeriu que se Trump “conseguir realmente fechar um grande acordo comercial com a China que envolva a venda de soja, tudo será perdoado', referindo-se aos exportadores afetados pelas taxas retaliatórias da China.
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