Campo Grande
Ataque de pitbulls reacende alerta sobre criação e punições
Polícia investiga se houve negligência; especialista diz que comportamento está ligado à criação, não à raça
| MSNEWS/BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS
O ataque sofrido por um jovem de 21 anos, na noite de sábado (12), reacendeu o alerta sobre os riscos da criação irresponsável de cães da raça pitbull e as punições previstas em casos como esse. A vítima teve a artéria do braço esquerdo rompida e a orelha dilacerada após ser atacada por três cães enquanto esperava uma pizza na casa de um amigo, no Bairro Jóquei Clube, em Campo Grande. Ele segue internado na Santa Casa em estado grave.
Em nota oficial, a Polícia Civil esclareceu que, em casos de ataques, a responsabilidade penal recai sobre o tutor. A depender da gravidade e das circunstâncias, os responsáveis podem responder desde contravenção penal até homicídio culposo.
A corporação também destacou que, além do boletim de ocorrência e da investigação, são realizados exames de corpo de delito na vítima e, quando possível, perícia no local do ataque. Os cães envolvidos podem ser apreendidos para avaliação de comportamento e para evitar novos incidentes.
Criação X raça – Embora os ataques tenham grande repercussão, profissionais alertam que o comportamento agressivo não é exclusivo da raça pitbull. O médico veterinário Antonio Defanti Junior, especialista em comportamento animal, explica que a forma como o cão é criado e o ambiente em que vive são fatores decisivos para o surgimento de atitudes violentas.
“O pitbull tem uma imagem associada à agressividade por conta do histórico de uso em rinhas, mas estudos mostram que não é, por natureza, mais perigoso com humanos que outras raças. Cães pequenos, como chihuahuas, podem ser mais agressivos, a diferença é o impacto da mordida', destaca o especialista.
Segundo Defanti, a falta de socialização, o isolamento, o uso de punições e a ausência de estímulos físicos e mentais são os principais gatilhos para a agressividade em qualquer raça.
“Ataques raramente acontecem sem aviso. Há sinais claros, como rigidez corporal, rosnados e fixação do olhar. A supervisão e o adestramento positivo são essenciais, especialmente com crianças ou outros animais em casa', afirma.
Debate reacende - O caso levanta novamente discussões sobre o controle de raças consideradas de força, a responsabilidade dos tutores e a necessidade de políticas mais rígidas de guarda responsável. Para a Polícia Civil, a conscientização sobre esses pontos é fundamental para a prevenção de novos ataques e para garantir que tutores respondam legalmente por omissões.
Enquanto a investigação segue e a vítima se recupera das lesões graves, o episódio serve de alerta sobre a importância de adotar medidas preventivas na criação de cães, especialmente os de maior porte e histórico de uso em confrontos, priorizando a educação e o manejo adequado.
Caso recente - De acordo a PM (Polícia Militar), a equipe do 10º Batalhão foi acionada durante patrulhamento no bairro por volta das 20h30 por testemunhas que contaram sobre o ataque de cães ao rapaz. Quando os militares chegaram encontraram a vítima caída com lesões nos braços, pernas e nádegas, além do rompimento da artéria no braço esquerdo e a orelha dilacerada.
O dono dos cachorros é um homem de 60 anos, no entanto, quem atendeu a polícia foi o filho, rapaz de 20 anos. Ele contou que estava em casa com um amigo e os dois decidiram pedir uma pizza, porém, quando o entregador chegou os animais ficaram agitados e atacaram o jovem.
A vítima foi socorrida para a Santa Casa por conta da gravidade dos ferimentos. O dono dos cachorros foi levado para a delegacia onde o caso foi registrado.
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